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Crítica

Crítica: Depois daquela montanha

 Nada mais do que um drama vazio

Entra ano e sai ano Hollywood busca produzir aquele filme que mexe com o coração do público, baseado em um best seller de sucesso capaz de repercutir antes mesmo de sua estreia – devido a uma inteligente campanha de marketing ou até mesmo a presença ilustre de atores renomados. A bola da vez fica por conta de “Depois daquela montanha”, baseado na obra de Charles Martin. Muito bem aceito pelo público, mas recebido de forma fria pela crítica literária, a história agora aporta nas telonas – e se dependesse somente do trailer teríamos uma adaptação promissora. O que não é o caso.

A trama começa dentro de um aeroporto em Salt Lake City. Quando todos os voos são cancelados devido a uma perigosa tempestade que se aproxima, a jornalista Alex Martin tenta encontrar uma solução para viajar e chegar a tempo para o seu casamento que acontecerá no dia seguinte. Com isso, ela percebe uma outra pessoa em uma situação similar e decide se aproximar do mesmo para tentar resolver o problema. Trata-se do Neurocirurgião Ben Bass, que está voltando de uma conferência com o compromisso de uma cirurgia inadiável que ele deverá comandar no dia seguinte. Alex então o propõe fretar um jatinho particular até o destino incomum dos dois. Todavia, durante o voo, o piloto sofre um ataque cardíaco acarretando um terrível acidente que os deixam presos entre uma região montanhosa coberta por neve. Em meio a luta pela sobrevivência e outras dificuldades impostas pelo destino, um romance vem à tona.

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Com uma premissa que já foi explorada diversas vezes, a produção que envolve nomes como Dylan Clark (da recente trilogia “Planeta dos Macacos”) e Peter Chernin (“New Girl” e “Oblivion”) aposta em um cenário mais realista e efeitos práticos, se afastando ao máximo dos visuais que ganharam força no mercado. Contudo, mesmo com um orçamento grandioso, não consegue vender mais do que um drama digno de uma sessão na tv sábado a noite.

O roteiro de J. mills Goodloe (acostumado com filmes do gênero, como: “A incrível história de Adaline” e “Tudo e todas as coisas”) não propõe nada de novo e ainda despenca com uso chavões batidos que tenta ampliar desajeitadamente o romance e o pouco drama existente. Embora até consiga nos apresentar no início a tensão da sobrevivência, bem como o esquentar da relação entre os dois, essa não é explorada corretamente, dando espaço para uma aventura bobinha, onde o romance acaba abraçando o clichê.

A direção de Hany Abu-Assad, responsável pelo premiado “Paradise Now”, torna-se completamente insegura em seu primeiro grande filme em Hollywood. Na tentativa de aprofundar os acontecimentos o diretor acaba duvidando da inteligência do espectador, optando por um desnecessário excesso de flashbacks – de momentos que acabaram de acontecer – e planos e ângulos que forçam o emocional. Atitudes que até entretém, mas tira toda paixão existente.

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Em compensação, correndo em um contraponto, temos a estonteante fotografia de Mandy Walker (“Austrália” e “Estrelas além do tempo”), que contorna com perfeição o cenário gelado em que o filme se passa. Fazendo uso de cores frias e uma diversificada escala de cinza, Walker engrandece o longa. Ganhando ainda mais destaque (e vida) com o contraste em marrom, preto e pastel provocado pela direção de arte de Cheryl Marion e James e Steuart, e o figurino de Renee Ehrlich Kalfus.

Kate Winslet e Idris Elba abraçam juntos praticamente todo o filme e estão, relativamente, bem em cena. Contudo, Elba se destaca mais (o que é ótimo depois do horroroso “Torre negra”) com interpretação contida, por ora misteriosa, funcionando muito bem para o papel. Já Winslet é um pouco prejudicada com uma personagem que passa a maior parte do tempo desacordada.

Mesmo tornando exagerada a dramatização de algumas cenas, a bonita trilha sonora composta por Ramin Djawadi é uma das melhores coisas do filme. Com destaque para “Don’t say anything”, que ecoa quando a esperança torna-se escassa e acaba dominando o momento.

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Com uma interessante e bem feita cena de acidente aéreo, e totalmente distante de um bom drama , “Depois daquela montanha” é só mais um blockbuster de aventura vazio que se perde na imensidão em que se passa. Uma pena.

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Produção
6
Roteiro
4
Direção
5
Fotografia
7
Elenco
6.5
Design de produção
6.5
Reader Rating0 Votes
0
5.5
Written By

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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