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Crítica

Crítica (2): Dominação

 

Antes de tudo, preciso dizer que “Dominação” é, no geral, um filme quase divertido, com uma ótima ideia e nada assustador. (Confira nossa primeira crítica ao filme aqui) Ele diz pertencer a um gênero, e preguiçosamente não faz por onde. Talvez faltasse ao diretor Brad Peyton experiência com suspense e terror, uma vez que o roteiro assinado por Ronnie Christensen não entrega profundidade.

O filme tenta inovar a boa e velha história de possessão demoníaca: Seth Ember (Aaron Eckhart) é um exorcista que trabalha com métodos mais científicos. Em estado subconsciente, ele entra na mente dos possuídos para então expulsar os demônios. Então, um menino de 11 anos, Cameron (David Mazouz), é possuído e Lindsay (Camilla Sandino Moreno), por ordens do Vaticano, procura o dr. Ember para o trabalho. Acontece que o demônio possuindo o jovem é um velho inimigo de Seth.

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O protagonista é bem representado por Eckhart, de fato, o seu personagem é único que foi devidamente construído. Não foge do clichê do anti-herói durão, buscando vingança, mas na verdade quer redenção. Durante o filme seremos apresentados a elementos do seu passado que nos ajudam a entender como ele virou a tentativa de anti-herói que vemos na tela: perda da família e danos físicos causados pelo demônio que persegue há anos. Enquanto esse trauma permanece em sua vida, ele segue seu trabalho caçando outros demônios com a ajuda de seus dois assistentes, os clichês pseudohackers, vividos por Keir O’Donnel e Emily Jackson, com seus equipamentos que transformam as caçadas numa espécie de combinação de Matrix com Constantine – sem Keanu Reeves.

O conflito familiar entre Linsay (Clarice van Houten) e Dan (Matt Nabel), pais de Cameron, procura adicionar alguma profundidade à história, mas não consegue tanto por ser desenvolvio de forma um tanto superficial. Clarice van Houten, conhecida por viver Melisandre em Game of Thrones, claramente, faz seu melhor para tentar dar qualidade à sua limitada personagem, porém sua interpretação fica nesse ponto. Já o jovem David Mazouz, que vemos como Bruce Wayne em Gotham, consegue mostrar um trabalho aceitável alternando entre “menino normal” e “menino possuído”.

A representante do Vaticano, Lindsay, é simplesmente enfiada na história para recrutar Seth, e o fato de que ele é mais cientista que religioso é o que alimenta o conflito entre os dois. No mais, ela passa o restante do filme repentinamente se importando demais com o bem estar do protagonista, sem que haja algo na história para justificar.

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Não há destaques em termos de fotografia, apenas o previsível uso de luz, sombras e enquadramentos de acordo com o que o momento pede: “esta cena deve ser assustadora, vamos escurecer tudo para criar suspense”.   Quanto a alguns efeitos especiais, não foi possível concluir se eles eram intencionalmente exóticos, para dar um ar retrô, ou se era simplesmente falta de verba.

A história segue previsível até o fim, e mesmo as tentativas de surpreender no final nos levam a resultados já esperados. Apesar de tudo, ver os demônios como invasões mentais e não necessariamente espirituais é uma ótima ideia. Fora isso, não traz nada de novo! Com tantos elementos superficiais, o filme diverte tentando abordar o exorcismo de uma forma moderna, mas peca ao apresentar tudo tão superficialmente. Já que o filme não consegue ser assustador, poderia ao menos desenvolver melhor seus personagens.

Caso estejam a procura de ver um filme com leves toques de suspense, para curtir no cinema com os amigos, essa será uma opção.

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Estreia nos cinemas brasileiros em 5 de janeiro.

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Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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