Carranca é o nome da banda criada por Rodrigo Costa, Vidaut Campos e Vitor Mc Mãe. Conta com Caesar Barbosa (que não integra a banda) na guitarra. Rodrigo após 15 anos de estrada com a banda Forfun, recentemente deu asas a esse novo projeto. Caesar também desenvolve trabalhos com Cidade Negra e Mauricio Baia. Vidaut também faz parte da banda Maldita e Mc Mãe é conhecido por seus trabalhos com Mc Fox em uma dupla de stronda. Ou seja, todos os integrantes têm muitos anos de carreira musical e uma bagagem enorme de experiências. Todas devidamente somadas e compartilhadas na banda Carranca que teve seu primeiro álbum lançado em dezembro desse ano. Não há que se esperar menos que um trabalho sensacional.

Foto: Divulgação/Carranca

O CD de estréia de como gênero principal o rock. Discorrendo ao som de guitarras destorcidas, o contra-baixo regendo a harmonia entre os instrumentos com slaps, traps e palhetadas. Do início ao fim o CD é atravessado pela vertente rock n’ roll, variando com ritmos de reggae e ragga também.

A música de abertura Showdown já está na lista de virais no Spotify.  Nas composições da banda, percebemos uma posição bastante sóbria com uma identidade bem estabelecida. Acompanhando as melodias ouvimos palavras que se encaixam perfeitamente, fluindo também com rimas.

“Vítima do mal que alimentou

Todos engodos serão desfeitos

Dessa geração nascerão eleitos

Camuflando o medo sob o escudo da bondade

Faz de conta, o reino da mediocridade

O derrotado, aqui também leva troféu

O compassivo quer o seu lugar no céu

Que desespero acompanhar a decadência

O destempero do egoísmo por essência

Travestido em consciência social

Eu quero ver a tua cara depois do showdown(…)”

Imagine uma melodia bastante contundente, carregada de rock regendo essas palavras. Vejo aqui uma celebração maravilhosa, também chamada de “rodinha punk”.

Foto: Divulgação/Carranca

Jongo e A Marcha também são músicas vibrantes pra se cantar e soltar todas as energias. Diria que a melodia te incita a cantar e fazer parte dessa pedrada musical.

Cabocla Janaína começa com um dedilhado suave mesclado a sons que levam um pouco de suspense a música, ao introduzir a letra se introduz também a distorção na guitarra. A Cabocla Janaína aborda a fé e espiritualidade de maneira aberta e franca, na direção contrária a toda intolerância religiosa.

Superbonder é um verdadeiro soco no cérebro. Contra atitudes que disseminam preconceito, ódio, inveja e toda sorte de pensamentos negativos que saem pela boca.

“Orgulho, vaidade e soberba sobrou

Respeito, humildade e afeto faltou

Guarda baixa, sabedoria

A sapiência que silencia
(…)

Superbonder poderia ser batom pra você”

Foto: Divulgação/Carranca

 A Percepção, nome que já adianta a abordagem da mensagem dessa música. O respeito e reconhecimento que cada um percebe e sente o mundo de uma maneira singular. ‘Kunky, junky, funky, drunky, punky mellow mood / Dirty money, suck my honey, make you come, merci beaucoup’. A melodia não descarrega em si um rock muito pesado, mas mesmo seguindo o gênero a pedaleira da guitarra rege uma melodia dançante. E a idéia da percepção individual se estende a música Vício por Vício.
“Respeito suas ideias, sua bandeira, seu deus

Mas vício por vício, eu fico com os meus!”

A música Revés se faz um bom exemplo da diversidade rítmica da banda. Tendo em sua introdução a presença forte da guitarra e começando a primeira estrofe com um ritmo aproximado ao ragga.

Foto: Divulgação/Carranca

Integrantes com muitos anos de carreira que ainda assim desaguaram nesse trabalho uma identidade concisa com muita originalidade. Sem dúvida fez por merecer seu espaço na nossa playlist.

Por Letycia Miranda


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