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CríticaFilmes

Crítica (2): Negação

Avatar de Tercio Strutzel
Tercio Strutzel
10 de março de 2017 3 Mins Read

Denial“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Talvez não para o mundo todo, mas para quem a conta para si mesmo, com certeza. Esse parece ser o caso do escritor David Irving (Timothy Spall), auto intitulado especialista em história militar, que nega a existência do Holocausto na Alemanha Nazista. Não bastasse ter mais de 30 livros escritos sobre a “II Guerra Mundial”, ele acabou desenvolvendo seguidores por todo o mundo, sobretudo de neonazistas.

Este é um fato (infelizmente), assim como um episódio em que Irwing processou a escritora Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) e sua editora por difamação, uma vez que a autora condenou os conceitos do britânico em seu livro “Denying the Holocaust”. Em princípio parece um caso ganho, mas aí entra o detalhe de que a ação correu na Inglaterra e nesse país o ônus da prova é sempre do réu. A história desse famoso processo é que está sendo retratado em “Negação”.

Devido à peculiaridade do Caso, a professora e escritora não tem opções a não ser contratar advogados ingleses, tanto por entenderem melhor as prerrogativas daquele país, quanto por serem os maiores especialistas em difamação (defenderam a princesa Diana e o escritor Salman Rushdie). Com isso, a equipe jurídica tem a difícil missão de provar que Lipstadt está correta em chamar Irwing de mentiroso.

A trama se desenrola rapidamente de modo que a escritora se muda para Londres onde passa a conviver com os advogados que a defenderão. O problema é que ela, tão segura e independente, não concorda com a linha de defesa adotada pela equipe jurídica. Enquanto ela pretendia levar testemunhas presenciais do holocausto e fazer um discurso ímpar, a estratégia dos advogados é de blindar tudo isso para que Irwing não tenha recursos para forçar uma reviravolta. Isso acaba por criar algumas dúvidas e tensões que podem colocar o julgamento em risco.

Richard Rampton (Tom Wilkinson) e Anthony Julius (Andrew Scott) conduzem a defesa fazendo acusações enfáticas ao escritor inglês. “Mesmo que esteja defendendo, ataque.” A estratégia dos advogados ingleses é de causar espanto até mesmo em quem está acostumado a assistir filmes de tribunal. Com isso o roteiro de David Hare vai diminuindo o peso em cima de Irwing e colocando os advogados como antagonistas de Lipstadt. Também diminui a ação da própria escritora, que praticamente assiste seus advogados executando suas estratégias jurídicas.

Negação

Os personagens são fortes, mas acabam não sendo desenvolvidos muito a fundo, o que prejudica seriamente a trama. Um tema tão complexo levado a cabo por duas pessoas de personalidades fortes necessitava de protagonistas mais densos. Apesar disso, Rachel Weisz representa bem a professora teimosa se remoendo com a resignação. Da mesma forma Timothy Spall é muito convincente no papel do historiador prepotente que não poupa esforços para distorcer a realidade em favor de suas ideias.

A direção de Mick Jackson é bem orquestrada, importante nas sequências em que diversos personagens contracenam juntos. A fotografia é eficaz, não indo muito além disso. Por outro lado a direção de arte foi muito feliz se apropriando da arquitetura e decoração dos prédios ingleses. “Negação” não é o tipo de filme para ter grandes destaques nos critérios técnicos. Seu ponto alto deveria ser o roteiro, mas ele falha na superficialidade dos personagens, apesar de ter uma linearidade concisa.

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DramaNegaçãoRachel Weisz

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Tercio Strutzel

Tercio Strutzel ama ler, escrever e desenhar histórias em quadrinhos. Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue tempo pra desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo. Também é serial reader de Ficção, Fantasia e Terror e viciado em séries.

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