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Crítica

Crítica (3): Invasão Zumbi

“Invasão Zumbi” vai muito além de um longa sobre zumbis,
fala sobre relações humanas. 

Pouco conhecido, o filme sul-coreano “Invasão Zumbi” pode ser facilmente encontrado entre os milhares de filmes da plataforma Netflix. A princípio parece uma produção como outra qualquer, que tem como tema principal uma cidade que é tomada por uma espécie de intoxicação, responsável por transformar humanos em zumbis.

Nada de novo até aí. Após o grande sucesso da série de televisão “The Walking Dead”, os zumbis ganharam as telonas e surgiram diversos filmes (principalmente americanos) que abordaram a temática. Abordaram tanto, que os zumbis caíram no clichê. E é aí que o filme sul-coreano surpreende, o diretor Yeon Sang-ho escolhe dar destaque às relações humanas em meio ao caos de uma cidade tomada por criaturas enlouquecidas.

O longa gira em torno de um pai que trabalha muito e não dá muita atenção para sua pequena filha. A menina muito infeliz com a relação com o pai, o convence de levá-la para passar um tempo na casa de sua mãe. Os dois pegam então um trem para Busan. Os passageiros não entendem nada ao verem os noticiários nas televisões do trem, que mostram cenas assustadoras de pessoas infectadas por algum tipo de vírus, se atacando sem motivo. A viagem se torna desesperadora quando uma dessas pessoas infectadas embarca no trem e se transforma em zumbi, começando a morder outras pessoas e as infectando também. A partir daí, todos no trem precisam lutar contra dezenas de zumbis para sobreviver e, nesse contexto, temos as pessoas egoístas e as que procuram ajudar outras pessoas.

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As cenas de ação não param, quando você pensa que agora vai ficar tudo bem, surge alguma situação e eles precisam lutar. É de tirar o fôlego do telespectador. A empatia por alguns dos personagens é bem imediata, enquanto por outros, essa relação vai se construindo ao longo do filme, como no caso do protagonista, o pai workaholic, que se transforma conforme vai conhecendo pessoas e ultrapassando obstáculos.

Sobre o zumbi explorado no filme, seu estilo é a là “Guerra Mundial Z”, criaturas muito rápidas. No entanto, os personagens não descobrem como matá-los, como normalmente acontece em outros filmes, e isso prejudica muito a sobrevivência. Os efeitos especiais e a caracterização devem ser parabenizados, além disso, é preciso citar sobre a articulação dos atores que se transformam em zumbis, pois a gesticulação do corpo é excelente e assustadora.

O diretor faz um trabalho bem particular, utilizando planos-detalhe para trazer a sensação de proximidade com os personagens e sequências em câmera lenta com uma musiquinha de tensão no fundo, que trazem um visual bem diferente do que costumamos ver nos filmes americanos. Os atores são muito naturais e não apelam para atuações dramáticas demais, mas conseguem demonstrar o que pessoas normais estariam sentindo em uma situação como aquela.

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“Invasão Zumbi” vai além de um longa de ação sobre zumbis, ele faz uma crítica sobre as relações humanas, explorando a ética, empatia e civilidade. O longa mostra os ricos que só se preocupam com eles mesmos e querem exclusividade na primeira classe, mostra pessoas de classes mais pobres que se arriscam pela vida do outro desconhecido, mostra a relação de subordinação entre chefes e empregados, a visão de uma criança e de jovens em um contexto de desespero. Tudo sem perder a ação.

Mas se você espera um final triunfante, não será nesse filme. A proposta de “Invasão Zumbi” não é mostrar a solução do problema, um antídoto ou uma causa, mas retratar como as relações se alteram quando acontece um problema. Um diretor que escolheu fazer um filme com um tema muito batido e conseguiu obter um resultado muito original.

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Por Manuella Neiva

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