Crítica (3) : Megatubarão

Há premissas que precisam apenas serem ditas para estabelecerem uma narrativa na cabeça do espectador. O que acaba os levando  a um erro comum que muitos (inclusive cinéfilos e críticos iniciantes) cometem: “julgar um filme pela premissa” (essa galera nunca ouviu o clássico ditado sobre livros?). As premissas em si, por mais bobas que sejam, podem – com o desenvolvimento certo – se tornar excelentes filmes (vide “Um Cadáver para Sobreviver”). Porém, “Megatuburão” é um desses casos?

Na fossa mais profunda do Oceano Pacífico, a tripulação de um submarino fica presa dentro do local após ser atacada por uma criatura pré-histórica que se achava estar extinta. Um tubarão de mais de 20 metros de comprimento: o Megalodon. Para salvá-los, um oceanógrafo chinês contrata Jonas Taylor, um mergulhador especializado em resgates em água profundas que já encontrou com a criatura anteriormente.

A resposta é não, “Megatubarão” não é um grande filme do subgênero, mas entrega o mínimo para entreter durante 113 minutos. O diretor Jon Turteltaub tem total noção de que esse é, afinal, um filme sobre um tubarão gigante, então ele não investe em um grande arco para qualquer personagem. Usando o primeiro ato para estabelecer um mínimo de  características básicas (o famoso quem é quem e o que faz), ele entrega personagens unidimensionais que funcionam muito bem quando interagindo entre si, mas não isoladamente. Isso pode ser facilmente notado nas cenas de discussões onde o diretor utiliza todos os personagens que estão presentes na situação, mas em vários momentos durante a ação os personagens ficam sem muito o que fazer.

Claro que boa parte disso se deve ao fraco roteiro Dean Georgaris, que oscila entre  ser extremamente expositivo, vide um momento em que um personagem diz “vou apertar o botão”, e interações que se beneficiam das superficialidades dos personagens (o fato dos personagens agirem de uma maneira, gera mais conflito). Já um acerto do roteiro, é ao criar suspense sobre qual personagem vai morrer (o espectador sabe que alguém vai morrer, e amaneira que vai morrer, mas não sabe quem), colocando sempre dois ou mais personagens em risco, expondo bem mais tensão do que o comum “ele vai morrer ou não?”.

O elenco é fraco mas se esforça para não ficar apenas patinando na mesmice de seus personagens. E mesmo assim é prejudicado com as mudanças de personalidade vindas das variações de tom que o filme assume. O personagem de Jason Statham, por exemplo, começa o filme como um homem atormentado por um trauma, mas se torna rápido o protagonista de ação com que estamos acostumados, com oscilações muito grandes em sua personalidade. E mesmo com essas complicações o ator consegue se manter firme, nunca caindo para o extremo do trauma ou da comédia. O resto do elenco tem carisma o suficiente para justificarem sua presença no filme, mas nada que mereça destaque.

Claro que isso já é de se esperar, afinal essa é uma obra calcada na tensão, e no que diz respeito a isso, ela se sai bem. A mise-en-scène cria espaços perfeitos para os personagens se locomoverem, sem fazer com o espectador esqueça que aquele é um ambiente pequeno, colaborando, assim, com a fotografia que faz uma troca muito eficiente de grandes planos e flyng cams, quando na superfície, e planos mais fechados quando em baixo da água. Assim, o filme consegue criar grande tensão tanto nas sequências subaquáticas, quanto em alto mar.

Somando isso tudo a grande variedade de situações que a produção promove, a trama torna-se dinâmica e angustiante sem nunca perder a graça (inclusive há um momento hilário envolvendo um banhista dentro de uma bolha).

Mesmo com sua premissa boba e roteiro previsível, “Megatubarão” diverte muito o espectador, oferecendo muito aos olhos, e mais ainda aos nervos. Pena que não muito ao cérebro.

Crítica (3) : Megatubarão
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