Crítica: A Múmia

A Universal Pictures chegou com seu novo projeto no mês de junho, o Dark Universe. O qual está trazendo de volta os grandes monstros do cinema. E para dar início ao primeiro filme da série ela vem com “A Múmia”. 

Estrelado por Tom Cruise, o filme conta a história de uma princesa (Sofia Boutella), Ahmanet, que teve seu destino injustamente tirado, no Egito antigo. Após a tentativa de evocar Set, o Deus da Morte, para governar o mundo, ela é mumificada e aprisionada em uma tumba. Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), nos dias atuais, são dois soldados caçadores de recompensas que estão atrás de antiguidades de valor. No meio do caminho, explodem uma região e descobrem a tumba de Ahmanet. Com a ajuda da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a recém descoberta e acabam sendo amaldiçoados pela múmia.

A nova produção, dirigida por Alex Kurtzman, vem com um ar um tanto diferente da antiga. O filme em seu princípio nos remete a mais uma aventura no Egito, com descobertas, humor e ação. Mas no decorrer ele vai se tornando algo mais sombrio, apontando pequenos momentos de terror e suspense, o que leva o filme para um patamar mais interessante. Algumas cenas tornam-se marcantes, como a do avião e do carro capotando, que despertam adrenalina em quem está assistindo e é difícil não se empolgar com elas. Porém, outras nos decepcionam pois acontecem sem motivo ou explicação alguma e ficam perdidas no meio do roteiro.

Esse, escrito por David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman, é uma grande miscelânea de histórias não conseguindo desenvolver muito bem pelo menos uma delas. A ideia que nos remete é de que foi feito para simplesmente dar início ao que está por vir, apresentando diversas possibilidades sem aprofundá-las. O que acaba sendo um desperdício por essa ser uma das melhores personagens desse universo e merecia ser melhor desconstruída.

O elenco que traz Tom “Missão Impossível” Cruise, como Nick Morton, e Sofia Boutella, como a Múmia, tem um grande carisma e interação desenvolvido pelos dois. Mas Tom por diversas vezes não deixa de lado sua necessidade de ser o cara das causas impossíveis, abrindo espaço para o destaque da trama que é Sofia. Ela que poderia ter sido mais bem aproveitada, ao invés de apenas ser uma ressuscitadora de mortos e sugadora de almas, enfim, após interpretar Jaylah em “Star Trek: Sem Fronteiras”, ganha um espaço maior dentro do mercado cinematográfico e não faz feio. A múmia que por vezes era um homem agora tem um lado mais feminino.

Ainda falando sobre o elenco, não podemos deixar de ressaltar Russell Crowe, que dessa vez largou sua armadura de gladiador e virou um ótimo duas caras como Dr. Henry Jekyll e seu alter ego Edward Hyde. Para dar o ar cômico a produção, temos Jake Johnson, como Chris Vail, o amigo de Nick, que aparece com ótimas tiradas para quebrar o clima ou dar um clima, por assim dizer. E para completar a turma, Annabelle Wallis vem como Jenny Halsey, que está bem mas, infelizmente, é apagada por Sofia Boutella.

A parte técnica é o que chama mais atenção. Os efeitos especiais foram muito bem produzidos e possuem um aspecto muito natural, mostrando nada muito fora de nossa realidade apesar de ser um filme ficcional. Em relação ao figurino, é importante falar sobre a construção da nova múmia que por ser uma mulher, ganhou “trajes” que realçassem seu corpo, deixando-a sexy mas não vulgar. A maquiagem por sua vez completou o que faltava, com uma pele esbranquiçada e traços egípcios pelo corpo. Além da nova ideia dela possuir 2 íris em cada olho, que veio como uma novidade.

“A Múmia” é o início de um novo universo que entretém e diverte o público facilmente com todos os seus aparatos visuais. Agora, resta saber como serão feitas as ligações entre os grandes monstros do cinema e se suas histórias serão mais conexas e desenvolvidas do que o primeiro filme do Dark Universe.

Crítica: A Múmia
6.5Pontuação geral
Votação do leitor 4 Votos
8.2