Crítica: A Terra e a Sombra

A Simplicidade da Dor

Estreou hoje, 17 de dezembro, nos cinemas nacionais o filme “A Terra e A Sombra” (La Tierra Y La Sombra). O longa, do estreante diretor César Augusto Acevedo, venceu o premio Camera d’Or no Festival de Cannes, além de outras três premiações, e é um possível concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Toda a trama é focada na família de Alfonso (Haimer Leal), que após anos de ausência retorna a sua antiga casa habitada pela ex-mulher Alicia (Hilda Ruiz), sua nora Esperanza (Marleyda Soto), seu neto Manuel (José Felipe Cárdenas) e seu enfermo filho Gerardo (Edison Raigosa). Agora Alfonso precisa lidar com os problemas atuais e curar as feridas do passado.

O roteiro escrito pelo próprio diretor é de uma sutileza sem comparativos. Não existe um ápice dramático e longos diálogos, mas apresenta em suas entrelinhas uma realidade tão gritante e incômoda que nos deixa tocados com a trajetória de seus personagens.

Em sua direção, a seleção por planos sequência e movimentos de câmera, são uma benfeitoria ao se contar a história. Ele escolheu dá voz a ambientação, a bucólica representatividade do espaço para o desenvolvimento, não focando em planos que apresentem seus personagens e sim a construção dramática em que estão inseridos. Proposta essa que se fez de forma original e autêntica merecedora de reconhecimento.

No elenco, com exceção de Marleyda Soto, todos os demais atores são estreantes e mostram a qualidade do trabalho da preparadora de elenco Fátima Toledo. Ela não só conseguiu deixá-los críveis como desenvolveu um trabalho leve e pontual para o drama. O ator José Felipe Cárdenas, sendo apenas uma criança, desenvolve um trabalho tão cinematográfico e emocionante que “dá um banho” em muitos atores.

O longa não marca só a estreia do diretor e do elenco, como também o magistral trabalho do diretor de fotografia Mateo Guzmán. Ele nos presenteia com planos bem realizados, uma tocante narrativa e uma composição e enquadramento quase perfeitos. Na fotografia, não podemos deixar de nos deliciar e citar o arranjo da cores, que tem a importante missão de se fazer compreender o contexto daquela realidade colombiana nada distante da nossa.

Não querendo excluir, mas o filme não é para qualquer tipo de público. Ele apresenta o silêncio como elo narrativo, podendo incomodar aqueles desacostumados com filmes do tipo.

“A Terra e A Sombra” é uma ótima e emocionante surpresa em seus 90 minutos de filme.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Pandora Filmes

Crítica: A Terra e a Sombra
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