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CríticaFilmes

Crítica: Antes da Meia-Noite

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
10 de setembro de 2018 3 Mins Read

Antes da Meia Noite 1Tudo que começa tem seu final, seja na vida ou na arte, ou ao menos na grande parte das coisas. “Antes da Meia-Noite” é o último capítulo da cuidadosa e poética trilogia de Richard Linklater, iniciada ainda na década de 90, mas finalizada somente me 2013. Espera essa que, no entanto, recompensa o espectador já que toda essa experiência cinematográfica torna-se maior que somente o filme se assistida em tempo real. Não é só o elenco e os realizadores que envelhecem, mas o público também, e isso torna a troca entre realidade e cinema mais interessante, inovadora. Ainda que esse fosse um filme ruim, pelo menos seria o fim de um experimento tão ousado quanto interessante.

Vemos agora o casal de protagonista mais maduros, mais velhos. Casaram, tiveram filhos e constituíram uma vida juntos em anos de convivência. A situação não é aquela idealizada dos filmes anteriores. Se antes Linklater nos apresentava um amor que todos gostaríamos de viver, algo cheio de sonho e de expectativas, agora devemos encarar a dura realidade. A premissa maior aqui é de que encontrar o amor é difícil, mas mantê-lo é mais difícil ainda. Dessa forma, “Antes da Meia-Noite” possui clima mais sóbrio e mais instável que antes, onde vemos uma relação amorosa já desgastada, mas que vez ou outra exibe sua essência, aquilo que foi plantado no passado.

Antes da Meia Noite 6

O que logo é curioso, e talvez até paradoxal, é o fato de que o terceiro filme da trilogia vem para desconstruir a seu modo o que foi plantado anteriormente, mas o faz de forma extremamente coesa aos dois primeiros. O foco ainda é nos diálogos, ainda é no casal, ainda é nos dois andando e divagando enquanto a câmera os segue. Ainda são os mesmos atores e os mesmos trejeitos, mesmo estilo de figurino. A linguagem é essencialmente igual ao que o diretor já havia nos colocado, mas é o conteúdo que muda e que torna esse artifício tão interessante. A verdade posta e a sinceridade da obra continuam aqui, tão cruas quanto antes, repletas de realidade, mas abordando os lados mais sombrios de uma relação. Tempo e desgaste são dois dos fatores que geram mais medo em qualquer uma que seja, e dois potenciais perigos.

Também tratando de curiosidades irônicas, as locações escolhidas e as cores geram contraste com as temáticas abordadas. O longa todo se passa na Grécia, onde passeamos por praias, pequenas cidades e cenários paradisíacos. O lugar onde muitos passariam uma lua de mel ou viagem romântica é, em “Antes da Meia-Noite”, lugar de ápice de um casal que já está junto há muito tempo. Onde toda a tensão que vai se criando ao longo da projeção chega a seu clímax e se soluciona. Mas será que soluciona mesmo? Difícil dizer com a imprevisibilidade do mundo real, que é o que Richard Linklater se mostra interessado em representar.

“Antes da Meia-Noite” é, portanto, bela conclusão para uma trilogia feita com muito carinho, muito sentimento. Talvez não tão doce quanto os antecessores, mas com sua essência que torna essa história tão cativante e envolvente. Concluímos, enfim, que todos podemos ser Jesse ou Celine, ou mesmo termos nossa própria história que se distância do enredo da trilogia. O que há de tão bonito aqui é isso, ser uma história que pode acontecer com qualquer um de nós, mas que também é uma história do cinema.

 

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Tags:

DramaRichard LinklaterRomance

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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