Crítica: Ao cair da noite

Uma onda de filmes de terror vem tomando conta do mercado cinematográfico. E cada vez mais vamos nos surpreendendo com as histórias que vão além do uso do sobrenatural para mexer com a cabeça do público.

“Ao cair da noite” não trata sobre, fantasmas, assombrações e muito menos zumbis, como muitos esperavam. O filme traz o ser humano como o principal elemento do medo, usando apenas o psicológico assustador a qual podemos chegar em um possível futuro “pós-apocalíptico”. Mas não vá esperando tanto terror assim, pois o mesmo está mais voltado para um suspense psicológico do que sustos repentinos.

A história começa em uma misteriosa casa no meio da floresta onde Paul (Joel Edgerton) e sua família, mulher e filho, moram. Um dia qualquer, uma outra família descobre o local e pedem ajuda. Paul, desconfiado de tudo, resolve dividir a casa com eles. Aos poucos a paranoia toma conta dele, que tem medo que sua família seja contaminada pela doença que circula o planeta e vem matando a população, e ele é capaz de tudo para proteger quem ama.

Escrito e dirigido por Trey Edward Shults, “Ao cair da noite” traz enigmas que podem vir, ou não, a serem desvendados durante a narrativa. Instigante e intrigante, a história nos dá sempre dois lados de uma questão, que muitas vezes o espectador terá que escolher para qual irá seguir seu pensamento.

A fotografia de Drew Daniels nos remete a sensação de claustrofobia e enclausuramento, pois a casa está sempre muito escura com todas as janelas tapadas e a única iluminação, à noite, é de uma lamparina. De dia, temos algo um tanto inexplorado, uma vez que são poucas as vezes que eles saem de casa por medo do que possa existir fora dela. Nesse caso, a edição junto a fotografia ganham destaque, principalmente na mesclagem de cenas que te deixam na dúvida se aquilo realmente faz parte da realidade vivida por eles.

O elenco que traz Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Griffin Robert Faulkner e Kelvin Harrison Jr. não diz muito para o que veio e a interação entre os mesmos é a mínima possível. Mas vale ressaltar que Kelvin Harrison traz uma interpretação minimalista muito interessante para a obra. Ele vai sendo inserido aos poucos na trama e torna-se o elemento chave ao final dela. Mas, como já foi dito, não aguarde muitas respostas, principalmente, vindo de seu personagem. A principal tensão psicológica é gerada por ele, com seus sonhos, atitudes…que naturalmente dão o caminho da dualidade de pensamentos à produção.

O mais importante do filme é a “possível” mensagem que ele passa sobre os seres humanos. Nós não precisamos de mais nada além de nós mesmos para construir um “cenário” aterrorizante para nossas vidas. O pânico, o medo e a paranoia vivida por Paul (Joel Edgerton), faz com que seja possível que ele duvide de sua própria sombra e qualquer possibilidade de ameaça, independente de comprovação ou não, deve ser eliminada. 

“Ao cair da noite” não é um filme que conquistará todo o tipo de público, pois seus aspectos técnicos – fotografia, direção, edição, maquiagem, trilha sonora – são seu “carro-chefe” e, por sinal, muito bem executados. Mas a história, em si, pode acabar frustando algumas pessoas que esperam o grande terror do ano.

Crítica: Ao cair da noite
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