Crítica: Armas na Mesa

Foto: Kerry HayesFoto: Kerry HayesFoto: Kerry HayesFoto: Kerry HayesDiretor John Madden e Diretor de Fotografia Sebastian Blenkov no set. / Foto: Kerry Hayes

Os fins justificam os meios?

Lobistas são pessoas contratadas especificamente para convencer alguém de alguma coisa. São seres que detêm alto poder argumentativo, e geralmente jogam com todas as cartas que possuem. Podendo trabalhar em diversas áreas empresariais, lobistas têm sua visibilidade maior no meio político. Afinal, quem mais precisa de um intermediador para nos convencer de algo?!

O lóbi – ou lobby – tem como principal objetivo sugestionar… persuadir… incutir, de maneira pública ou secreta as decisões do poder público – legislativo, principalmente – a favor de interesses privados. Apesar de ser uma atividade que está dentro da lei e da ética, nem sempre acaba sendo lícita. Tudo depende das armas que se usa.

E é com esse gancho bélico-argumentativo, que Armas na Mesa chega aos cinemas no próximo dia 02 de fevereiro.

Sob o título original de Miss Sloane, Armas na Mesa traz a história de Elizabeth Sloane, estrategista (e aqui eu gostaria muito de completar com um adjetivo que me saiu em forma de palavrão, mas não posso), que coloca a carreira acima de todo e qualquer objetivo. Seu propósito?! Passar uma emenda sobre o controle mais rígido de porte de armas.

Conforme a Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos, há a proteção das pessoas que possuem porte de arma. E a obra segue esse mote para discutir os direitos e deveres das pessoas que a possuem, e os interesses dos políticos que a cercam.

Estruturalmente é um filme que tem premissas importantes às discussões que temos hoje em dia. Fala da questão da violência gratuita e da violência protegida. Discute o papel da mulher no mercado de trabalho, exaltando o poder feminino e tornando-a o principal e mais forte elemento de uma negociação.Apesar de ser qualificado como um drama, eu o vi como um suspense. E daqueles bons. Que antecipam o final do filme nos primeiros cinco minutos, mas que te deixam completamente sem ar quando acaba. É um filme que se passa em dois momentos e que se utiliza de elementos como analepses – os famosos flashbacks – para situar o público.

No papel de Elizabeth Sloane, temos Jessica Chastain. Que construiu a personagem com características além das mocinhas que estamos acostumados a ocupar nos papéis principais. Ela traz em si o empoderamento feminino no olhar, no gesto, na maneira de sentar. Vem com a firmeza de uma mulher que não precisa de nada e ninguém para se sentir dona de qualquer situação. E justamente por essa exímia atuação, que Miss Chastain deveria estar na corrida para sua terceira indicação ao Oscar.

O que cabe lembrar aqui também, é que ela já havia concorrido ao Globo de Ouro 2017 na categoria “Melhor atriz em drama” por esse mesmo filme, mas quem acabou levando a melhor foi a atriz Isabelle Hupper por Elle.

Além de Chastain, temos Mark Strong, Douglas Smith, John Arthur Lithgow, entre tantos outros nomes que fizeram esse filme realmente acontecer. Aliás, Mark Strong merece não só um destaque por sua atuação, mas também pelo seu histórico na carreira. Com um currículo extenso (49 trabalhos entre filmes e séries), a experiência de Strong traz para o time de Armas na mesa um personagem incorruptível e maleável. Foi uma ótima escolha.

A direção é de Jonh Madden – que também dirigiu Shakespeare Apaixonado e o Exótico Hotel Marigold – com roteiro de Jonathan Perera. O trabalho dos dois rendeu uma narrativa corrida, rápida… não te deixa dormir no ponto e na verdade nem te permite isso. A rapidez faz com que o filme flua, mas também exige do expectador uma atenção de tudo que está sendo dito nas entrelinhas. Apesar de drama-suposto-suspense, os diálogos vêm carregados de um cinismo cômico e esse cinismo faz dupla com a trilha sonora. Encaixe perfeito!

O mesmo ocorre com a fotografia, com cores intensas e cenário bem articulado, a direção fez o filme saltar da tela (e o mesmo vale para o batom vermelho intenso da senhorita Sloane). O fato é que tudo conversou. Foi escuro no momento certo, e brilhava quando se fazia necessário. Atores, cenário, fotografia e trilha sonora simplesmente convergiam. E assim, o filme foi conduzido de maneira impecável.

A pergunta que fica é: Qual é o preço que se paga por uma competição?

Se você gosta de voltas e reviravoltas, tensões com tom de humor, de finais surpreendentes e uma teoria da conspiração; esse é o seu filme. Dia 02 descubra se Elizabeth Sloane é uma mulher sem princípios, ou de uma genialidade magistral.

 

Crítica: Armas na Mesa
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