Imagem: Divulgação/Sony Pictures

Nos anos 70, as mulheres ainda possuíam seu grito por independência e poder abafado pela sociedade, contudo os movimentos feministas já  iniciavam as mudanças, mesmo que a passos curtos. Haviam poucos espaços na política, na mídia, e em tantas outras áreas, assim como ainda ocorre hoje em dia. Todavia, nessa mesma época, um seriado com três mulheres poderosas estreava e em cinco temporadas se tornaria um clássico da tv,  “As Panteras“. O trio de mulheres ocupava um espaço de protagonismo em uma série policial, espaço que até então era amplamente dominado por homens. Elas eram agentes  disfarçadas que trabalhavam para uma organização secreta. Entretanto, não se engane, nem por isso a série era categoricamente um espaço de  feminista como parece, ou tão a frente do seu tempo. Isso porque a época ainda influenciava no produto e a série abusou de usar atributos físicos de suas atrizes  para atrair o público, afinal, sabemos do histórico da mulher sendo, em inúmeros produtos audiovisuais, um mero objeto sexual. Pois bem, por que voltei no feminismo dos anos 70 para falar do filme “As Panteras” de 2019? A resposta é simples, é importante relembrarmos esses fatos no contexto do novo filme pois o mesmo é, em sua essência, uma explosão de girl power e uma bandeira feminista astiada.

O filme é dirigido por Elizabeth Banks  e traz uma nova equipe de Charlie’s Angels. A história acompanha Sabina Wilson (Kristen Stewart), Jane Kano (Ella Balinska), duas panteras que precisam ajudar a cientista Elena Houghlin (Naomi Scott), em um dos seus casos. As três se unem com a missão de impedir que um artefato perigoso e mortal caiam em mão erradas.

A premissa do filme é tão simples quanto todos os aspectos do mesmo. Não há nada aqui que outro filme do gênero de espionagem já não tenha feito. Ou seja, o longa caminha entre cenas de ação (num geral bem desenvolvidas), implanta situações de espionagens com boas sacadas e que conseguem prender a atenção do público e algumas sequências de perseguição, além das várias cenas de lutas. Em termos técnicos, tudo em seu lugar, em termos gerais, amplamente comum e previsível.

O roteiro, por sua vez,  tenta implementar um plot. Durante todo o filme ele falseia e nos ilude sobre quem é o real vilão. Há aqui uma boa sacada para enganar o público e causar uma surpresa. No entanto, o momento utilizado no filme e a forma como é revelada a verdade não são os mais propícios, o que deixa o plot sem impacto.

Voltando ao temática feminista, no qual o filme se apoia, podemos afirmar que trata-se do melhor e do pior aspecto que a história nos traz. O pior devido ao excesso de expositividade para levar o tema para dentro da trama. Os diálogos para implementar o discurso poderiam soar consideravelmente mais naturais do que ocorre no resultado final, se fossem melhores trabalhados e se apresentassem em situações mais interessantes. Dessa forma o feminismo perde o lado orgânico e vira uma panfletagem massiva. E isso acaba se mostrando ainda mais desnecessário, porque temos quatro power atrizes em cena, interpretando personagens que já imprimem o GIRL por si só – elas são empoderadas. No entanto, deixo aqui a ressalva de que o excesso não estraga a mensagem em si  (só a torna mais massante do que deveria). E uma cena interessante se destaca, é uma cena de transição logo no início do filme, que mostra meninas/mulheres praticando inúmeros tipo de esporte, inclusive aqueles onde o homem antes prevalecia, sem precisar dizer uma palavra é mostrado as mulheres ocupando os espaços.

Há de se destacar com isso as protagonistas, que mesmo não possuindo o apelo de Panteras dos filmes anteriores, todas (destacando-se mais Kristen Stewart) se mostram eficientes em levar suas personagens em cena, e inclusive deixam um gostinho de quero mais.

Para finalizar, “As Panteras” possui erros e acertos, mas acima de tudo é um filme com boas intenções, mesmo que não as cumpram da melhor maneira. Está longe de chegar perto ou de superar os filmes antecessores, contudo entrega uma boa diversão. Vale avisar também que sobre as cenas pós-créditos, são mais de uma e inclusive são algumas das cenas mais divertidas do filme e deixam claro a intenção de que uma sequência seja feita.


Imagem e Vídeo: Divulgação/Sony Pictures


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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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