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CríticaFilmes

Crítica: Ben-Hur

Gleicy Favacho
17 de agosto de 2016 3 Mins Read

É difícil ter algo ruim a dizer sobre Ben-Hur. A produção conta com bom roteiro, boa direção, fotografia e trilha sonora de tirar o fôlego, além de figurino excelente e maquiagem impecável. Essa última então, não tem como não falar do bom trabalho, principalmente, no realismo das cicatrizes e ferimentos recentes de guerra. Um dos personagens aparece em determinado momento com uma cicatriz bem detalhada vindo do rosto e cortando a orelha e não se vê um detalhe que se possa dizer que é maquiagem, é como se o ator realmente tivesse se ferido, é um trabalho perfeito.

Voltando a falar na direção do filme, essa soube muito bem contar a história. O filme começa já no destino que o personagem traçou para depois voltar ao passado longínquo e relatar o que aconteceu com Ben-Hur e como foi que ele deu cada passo até chegar àquele momento que nos é apresentado no início.

As mudanças de cenas foram feitas de forma sensacional. Detalhe de uma servindo de gancho para outra (principalmente quando marca as passagens de tempo) foi uma belíssima jogada.

A história de Ben-Hur conta ainda com a narração de Morgan Freeman, uma das melhores vozes do cinema, além de ser um ator sensacional.  Seu personagem é peça  fundamental na trama e nem precisa dizer que ele foi uma excelente escolha para interpretá-lo. Morgan Freeman se encaixa como uma luva no papel de homens sábios.

Por falar em interpretação, a escolha dos atores principais foi outro grande acerto. A química entre Jack Huston e Tobby Kebbell, que interpretam Ben-Hur e seu irmão Messala é notável. É possível ver a transformação de um amor de irmãos em sentimentos de ódio e desejo de vingança e acreditar nisso, além da transformação pessoal de cada personagem.foto 2 1Rodrigo Santoro, nosso conterrâneo, também está fazendo bonito lá fora. Seu personagem, Jesus Cristo, não é o foco nessa história, porém sua aparição constante na divulgação do filme não foi exagerada.  Realmente a passagem de Jesus na vida do protagonista é bem marcante, pois os poucos encontros dos personagens tiveram um impacto que foi fundamental em suas decisões na jornada se Ben-Hur, mesmo este não percebendo inicialmente. Outra coisa a ser falada sobre Jesus Cristo nesse filme: Não é um filme sobre Jesus, como todos sabem, mas acontece em sua época e o texto tem uma ligação muito grande com sua própria história, se observarmos o desenrolar da trama. Além disso, é interessante vermos a forma como sua figura é tratada no longa. Ao invés de termos uma história centrada em Jesus e seus discípulos, como vimos em inúmeras produções, podemos ver o impacto que Jesus teve na vida da maioria das pessoas na época em que viveu através de poucos encontros, pequenos gestos e uma rápida troca de palavras, assim como foi com o protagonista. Sua figura também é vista de forma mais humana. Jesus aparece mais sozinho (antes de andar com seus discípulos), como o humilde carpinteiro e um homem de compaixão, começando a espalhar sua mensagem.

Com direção de Timur Bekmambetov, o épico Ben-Hur é  um excelente filme e com uma estética muito bonita, que foi levada até os créditos finais, além de ser repleto de cenas memoráveis, uma delas em alto mar que é deslumbrante (aliás, toda a sequência no navio).

O longa estreia nesta quinta, dia 18 de agosto de 2016.

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Gleicy Favacho

Gleicy Favacho é uma maquiadora com alma de artista. Quando pequena sonhava em descobrir um mundo fantástico através do armário muito antes de se ouvir falar em Nárnia. Essa imaginação a levou a seguir uma profissão onde ela pudesse participar da construção de vários mundos e histórias diferentes, sendo apaixonada por cinema, teatro e outras artes. Claro que, sendo adulta, já mantém um pouco mais os pés no chão, mas sempre olha dentro de um armário ou outro, afinal, vai que… né?

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