Chadwick Boseman, que interpreta o Pantera Negra nos filmes da Marvel, acabou atrelando bastante sua imagem ao personagem. De forma que é até estranho assistí-lo em produções em que atua em papéis diferentes mais recentemente, como é o caso de “Crime sem Saída”Felizmente, nesse novo trabalho, Boseman consegue distanciar sua figura do super-herói de Wakanda e, junto disso, protagonizar um longa-metragem. Não é uma atuação brilhante, revolucionária, porém que é funcional e que está dentro do contexto do filme. É preciso falar do contexto do filme por esse ser do gênero policial, contando com alguns elementos de thriller, e por se manter bem dentro dessa proposta.

Dessa forma, não é apenas a performance do principal nome do elenco que fica redito nessas limitações, como a maior parte dos elementos de “Crime sem Saída”. É preciso admitir que o filme possui ritmo acelerado que envolve o espectador, e fazendo isso com eventuais revelações e reviravoltas, para além de cenas de ação que aparecem aqui e ali durante a projeção. Por outro lado, nem mesmo esses aspectos são trabalhados com qualidade o suficiente para que tratemos de uma obra cheia de virtudes. Muitas das sequências mais frenéticas são dirigidas de forma confusa, sem que o público possa entender as movimentações dos personagens e dos objetos cênicos melhor, o que as torna frequentemente difíceis de entender. Já roteiro e suas reviravoltas acabam se atropelando e se mostrando pouco factíveis, uma vez que surgem repentinamente e não instigam o espectador a ir montando o quebra-cabeça proposto pelos realizadores. Uma das cenas finais, na qual uma série de pontas do roteiro é amarrada, é expositiva e soa até um tanto quanto apelativa, por exemplo.

Ademais, tudo aqui soa familiar e pouco surpreendente. Não há problemas em utilizar clichês presentes no cinema de gênero, mas é problemático quando todos os elementos e recursos presentes na obra parecem querer evocar essas referências sem propor nada além disso. No fim, o clima acaba sendo o de forte artificialidade por parte do filme. Isso inclui, além do roteiro e das opções de direção, também os personagens que se enquadram quase todos em esteriótipos já muito gastos dentro do cinema como um todo. O que salva, nesse aspecto, é uma dinâmica de herói e antagonista que não é oposta e que foge de uma dualidade mais previsível e óbvia. É um dos pontos que é um pouco melhor trabalhado e, certamente, um dos mais altos do longa.

“Crime sem Saída” entretém e é dotado de ritmo alucinante do início ao fim, o que certamente agradará fãs de filmes policiais ou de filmes de ação. Não inova e, apesar da diversão que pode gerar, não vai muito além disso e é refém das próprias referências. Falta maior tridimensionalidade dos personagens, ainda que um ou outro sejam mais desenvolvidos, e uma trama que seja cadenciada porém que faça sentido e que não pareça, como mencionado anteriormente, artificial demais. Mesmo não sendo necessariamente uma obra ruim, de má qualidade, falta muito para dizer que existe alguma substância ou densidade maior nela.


Imagens e Vídeos: Divulgação/Galeria Distribuidora

Crime sem Saída

3.0
Regular!

Um detetive da polícia de Nova Iorque recebe um complexo desafio no trabalho: ele precisa achar e prender um assassino de policiais que está à solta na cidade. Realizar a prisão do criminoso implicaria em recuperar a honra que ele perdeu durante algumas tarefas mal-executadas nos últimos anos.

Direção
Roteiro
Elenco
Ritmo
Pros
  • Ritmo
  • Bom protagonista
Cons
  • Pouco original
  • Roteiro apelativo
  • Direção confusa
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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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