Crítica: Dark (1ª Temporada)

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Um emblemático quebra cabeça, no qual as peças se confundem antes de ganharem coesão. “Dark”, uma produção Alemã dentro da Netflix, surpreende pelo envolvente roteiro que prende o telespectador em uma trama recheada de opções e segredos, além de dispor de um elenco de excelência e uma dose de quero mais no fim da temporada.

Diante de um emaranhado de mistérios, os  principais acontecimentos para o desenrolar da trama são um suicídio e o sumiço misterioso de duas criança na pequena cidade de Winden, além de outras que surgem mortas. A história ganha contornos de drama, suspense, e na medida que os fatos ocorridos no passado e presente se mostram congruentes, a série passa a ter um sentido – mesmo que confuso. Tudo se torna um grande ciclo.

E é nesse ciclo que a série se desenvolve de forma pouco reveladora, por assim dizer, não permitindo o espectador saber quando e onde as coisas inicialmente ocorreram. Origem e consequências de fatos se confundem conforme o roteiro constrói as tramas e os dramas (principalmente nos 6 primeiros episódios). O enredo disponibiliza informações desconexas e uma ampla quantidade de personagens inseridos sem aprofundá-los com uma introdução. Mas é ai que a série ganha um dos seus principais méritos, pois ao invés de causar a repulsa do público por ter uma história inicial aparentemente desconexa, a trama atrai pela qualidade dos diálogos e dos mistérios que esconde, com inúmeras pontas soltas a serem captadas pelo público, despertando o interesse do mesmo em entender o que está acontecendo. A questão aqui não é apenas a viagem no tempo, mas o papel que cada personagem cumpre em relação a ela.

A direção dos episódios é consistente no ritmo imposto pela série. Como em um  filme linear, bem construído em seu começo, meio e fim, traz a mesma carga – cada qual com seu singelo momento de ápice. Esses, por sua vez, não passam de plots bem desenvolvidos para entregar algum fato mais relevante para a história. Trabalho qual, também levam os créditos os roteiristas, responsáveis por desenvolver cenas e diálogos cirurgicamente bem implantados, que por pouco revelarem, criam o ar de suspense e gera incógnitas – instigando bastante o espectador a imaginar o que será que está acontecendo e o que está por vir.

Todavia, não se constrói boas obras audiovisuais como essa sem bons atores! E isso não falta em “Dark“. O jovem Louis Hofmann, dá vida ao protagonista Jonas e consegue entregar um personagem seguro com ótimos momentos dramáticos. Olive Masuccir (Urich Nielson), Jordis Triebel (Katharina) e Maja Schone (Hannah) trazem para trama interpretações mais densas. Com destaque para o primeiro, que transmite certa sutileza através de seus sentimentos – desde a respiração moderada até as nuances do olhar enquanto seu personagem tenta de qualquer maneira encontrar o filho desaparecido. Enquanto isso, Adreas Pietschmann e Mark Wachke ficam por conta de serem os personagem que trazem consigo todos os segredos da trama, durante primeira temporada. Misteriosos, pouco revelam de si mas são claramente peças fundamentais do quebra-cabeça armado a ser desenvolvido na 2ª temporada.

Em relação aos aspectos técnicos, os que mais se destacam na produção são a direção de arte e a fotografia. A primeira, devido a criação de todo um designer próprio e releitura de estudos sobre viagem no tempo com desenhos e formas que se refletem até na abertura da série. Ao mesmo tempo também desenvolve bem a ambientação dos personagens em diferentes períodos históricos, onde, mesmo que não houvesse uma datação especifica em tela, se perceberia que se tratava de tal época. Já a fotografia destaca-se, principalmente, pela escolha de tons acinzentados, responsáveis por transmitir a frieza do lugar e de alguns personagens ao mesmo tempo que insinua mistério e imprime uma atmosfera mais sombria com a ajuda da névoa, sempre presente. Em tempo, é importante salientar que as tomadas utilizadas conseguem proporcionar uma sensação de clima interiorano, de um cidade pacata, onde tudo sempre gira em torno de algo muito importante para o lugar – nesse caso, a usina nuclear.

No geral, a primeira temporada de “Dark” beira a perfeição (isso para não dizer que é perfeita)! Com uma boa construção da história, em momento algum a série desvia o foco ou apela para algo muito expositivo, mantendo uma linha tênue dos acontecimentos conforme esses são contatos. Além disso, a série consegue prender o espectador em suas próprias questões, fazendo-o se questionar e buscar entender mais sobre o assunto em questão. Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores obras disponíveis no serviço de streaming da Netflix, quiça, uma das melhores séries ou temporadas já produzidas em um contexto geral.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Netflix

Crítica: Dark (1ª Temporada)
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9.3