Filme dirigido por Chad Faust começa com uma proposta instigante e boas atuações, mas perde força por causa de um roteiro inconsistente
Desde que “Balística“, novo filme dirigido e roteirizado por Chad Faust, apresenta sua proposta, fica difícil não imaginar como seria estar naquela situação. O que você faria se descobrisse que a bala de munição que você fabricou foi a responsável pela morte do seu próprio filho? Tenho certeza que muita gente surtaria diante de uma notícia dessas. Ainda mais sabendo que ele estava servindo o seu país, enquanto as munições produzidas por você eram destinadas justamente ao exército do seu país, e não ao inimigo. A premissa do filme é exatamente essa e, no início, a história consegue envolver bastante. O problema é que ela não consegue sustentar essa força por muito tempo.

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A base da história
Lena Headey interpreta Amybeth Headey, uma mãe, sogra e futura avó que trabalha em uma fábrica de munições nos Estados Unidos. Seu filho, Jesse Redfield, vivido por Jordan Kronis, é um militar recém-alistado que não está nenhum pouco satisfeito com o trabalho que exerce e vive cercado de dúvidas sobre se aquilo que está fazendo realmente é o certo.
Jesse está em uma missão confidencial, distante da mãe e de sua esposa Diana, interpretada por Amybeth McNulty, que teve uma participação discreta em “Stranger Things“. Ela está grávida, esperando o primeiro filho do casal, o que deixa tanto a mãe quanto a esposa extremamente felizes com a chegada do bebê.
O filme apresenta uma família vivendo um momento especial, e tudo muda completamente a partir de um acontecimento trágico. Essa parte, por sinal, é muito bem desenvolvida. A forma como a notícia chega e, principalmente, a atuação de Lena Headey interpretando uma mãe que acabou de perder o filho, conseguem transmitir toda a dor daquele momento. É uma atuação impactante, que faz o espectador se colocar no lugar dela e sentir a angústia daquela perda.

Quando o roteiro começa a se perder
Depois desse acontecimento, Amybeth entra em um surto pós-traumático e decide descobrir o que realmente aconteceu com seu filho. É justamente nesse momento que o filme começa a desandar.
E não, o problema não está nas atuações. Pelo contrário. A história divide seu protagonismo entre Lena Headey e Hamza Haq, que interpreta Kahlil Nabizada.
Os dois conseguem entregar atuações convincentes dentro daquilo que o filme propõe. O problema está no roteiro, que poderia ter aproveitado muito melhor a história e construído um desenvolvimento com mais lógica.
A sensação é de que o filme tinha um caminho muito interessante para seguir. A desconfiança da mãe sobre o exército americano e toda a possibilidade de revelar uma conspiração envolvendo a morte do filho e uma ligação com os Talibãs tinham potencial para render um suspense muito forte.
Só que a forma escolhida para contar essa história acaba transformando a personagem principal em uma pessoa extremamente desequilibrada, tomando atitudes sem muito sentido. Em vários momentos, nem ela parece saber exatamente o que está procurando ou o que pretende fazer.
Você entende perfeitamente a motivação dela. É uma mãe buscando respostas e querendo justiça pelo filho. Isso faz total sentido. O problema é a maneira como essa busca é construída. Tudo o que começa parecendo fazer sentido vai perdendo a lógica conforme a história avança.
Chega um momento em que você deixa de acompanhar uma investigação interessante para assistir apenas a uma mãe querendo se vingar, sem saber exatamente de quem ou por quê.

Aspectos técnicos funcionam
Se o roteiro decepciona, a parte técnica consegue entregar bons momentos.
A fotografia, os enquadramentos, os flashbacks e alguns detalhes da direção ajudam bastante na imersão. Chad Faust também trabalha muito bem a parte sonora, utilizando músicas instrumentais que combinam com o clima do filme e aumentam a tensão em diversos momentos.
Visualmente, é um filme competente. A direção consegue criar uma atmosfera interessante e existem cenas muito bem construídas. Mas só isso não consegue sustentar a narrativa, principalmente quando ela vai ficando cada vez mais confusa.
O problema é que nem todo esse cuidado técnico consegue esconder um roteiro que perde completamente o rumo, principalmente na reta final, que acaba sendo ainda mais sem sentido.

Vale a pena assistir?
No geral, considerando que “Balística” é inspirado em alguns fatos reais, acaba sendo um filme interessante para quem procura assistir a algo diferente do convencional. A premissa chama atenção, o elenco entrega boas atuações e existe um esforço da direção para construir uma experiência envolvente.
Mas é um filme que dificilmente vai fazer alguém querer assistir novamente.
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Muito provavelmente você vai terminar a sessão com aquela sensação de “o que aconteceu aqui?”, justamente porque a história começa muito melhor do que termina.
É mais um daqueles filmes que tinham tudo para contar uma excelente história, mas que, no meio do caminho, parecem decidir seguir por outra direção e acabam se perdendo completamente no que realmente queriam contar.
Imagem Destacada: Divulgação/Brainstorm Media


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