Crítica: Dumbo

Foto: Divulgação/Walt Disney Studios

A imagem do cineasta Tim Burton é ligada aos filmes sombrios. Quando a palavra “sombrios” é colocada separadamente, pode-se entender que a sua obra possui viés pessimista. Porém, o que acontece é exatamente o contrário. Usando como exemplo um grande sucesso, “Edward Mãos de Tesoura”, é possível notar a sua predileção pelo bizarro, mas sem perder a capacidade de criar um personagem sensível, que busca algo acalentador em uma realidade opressora. A sua nova empreitada Dumbotambém conta com momentos lúgubres e o simpático elefantinho voador sofre um bocado. Burton, no entanto, não é masoquista, ele quer um final feliz, só prefere traçar caminhos diferentes até que o objetivo seja alcançado.

Na verdade, “Dumbo” faz parte da nova fase de um diretor que ainda usa de um design de produção gótico e até busca um pouco das sombras usuais de sua produção passada, mas que perdeu para os grandes estúdios a capacidade de escrever histórias que façam jus ao seu estilo tão conhecido. Não se tem mais a empolgação de antes quando é anunciado o novo filme de Tim Burton. Parece que virou um diretor de encomenda, encarregado de passar seu verniz em readaptações, como em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Alice no País das Maravilhas” e agora Dumbo.

Por isso, não se espera grandes surpresas na história de Holt (Colin Farrell), um soldado que volta da guerra sem um braço e precisa reconstruir sua carreira no circo onde conheceu sua falecida esposa, ao mesmo tempo que tenta criar os dois filhos. Holt, antes um cavaleiro de espetáculo, se torna um cuidador de elefantes, a mando do dono do circo, o trambiqueiro Medici (Danny DeVito). Após uma fêmea de elefante vinda da Ásia dar à luz um filhote com enormes e exóticas orelhas, a vida do homem sofre uma transformação. O pobre animal logo vira motivo de piada e é colocado junto ao número dos palhaços nas apresentações. Os filhos de Holt passam a cuidar do filhote e dão a ele o nome de Dumbo. Também são os filhos que descobrem a capacidade de Dumbo de voar batendo suas orelhas. No meio disso tudo há o caricato vilão Vandemere (Michael Keaton), que separa Dumbo de sua mãe, e a bela trapezista Colette (Eva Green), que se torna uma aliada do bem.

A trama é confeccionada de forma clássica, o que banaliza o filme com seus conflitos, clímax e resoluções manjadas. Evidentemente que se trata de algo pensado para o público infantil, tirando qualquer anseio por um drama mais sério. Mas, o fato de haver Tim Burton nos créditos levará muitos marmanjos desavisados ao cinema esperando temas adultos, como a exploração animal para entretenimento. Até que esse tema é abordado lá no final em uma sequência leve e breve de acontecimentos, no entanto, nada que satisfará qualquer protetor da natureza. O que sobra são alguns momentos de aventura bem elaborados e traços sensíveis ao abordar a dificuldade de seres diferentes (orelhas grandes, falta de algum membro no corpo) de se adaptarem em seus meios ou de serem aceitos por seus iguais. Só isso não basta para um filme que tem um ícone na direção, a não ser que seu nome tenha se tornado uma simples ferramenta de marketing.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Walt Disney Studios

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