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CríticaFilmes

Crítica: Entardecer

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
26 de maio de 2019 2 Mins Read

61288241 1520275158107150 8234640513429405696 o

O período anterior a Primeira Guerra Mundial foi, certamente, um dos momentos mais tensos do século XX. O clima de inimizade cada vez maior entre as nações e o grande embate dos impérios existentes até então era o que predominava na Europa daquele período, resultando num grande efeito dominó que mais tarde eclodiu no evento que por muito tempo foi chamado de “A Grande Guerra” ou “A Guerra Para Acabar com Todas as Guerras”. É então nas vésperas de tal episódio que “Entardecer” se passa, em meio ao declínio do Império Austro-Húngaro.

Dessa forma, vale o comentário inicial de que trata-se de uma produção francesa/húngara, fato que fica evidente não apenas pelo idioma falado pelos personagens como pelo tom que é estabelecido.

“Entardecer” não é nada de excepcional em sua proposta, mas certamente está um pouco distante de um tipo de cinema mais convencional e lugar-comum que estamos acostumados em conviver dada massiva produção audiovisual norte-americana. Nesse sentido, temos a eficiente direção de László Nemes, focando em sua protagonista a maior parte do tempo e seguindo-a pelos cenários em que se encontra. Os cortes são poucos e a câmera quase sempre se encontra próxima aos atores, como se fossemos confidentes de tudo que ocorre em tela, porém como se estivéssemos confinados ali também. A sensação de claustrofobia é grande e o estranhamento torna-se ainda maior se pensarmos que o domínio do longa é o da protagonista, inevitavelmente. É através do seu ponto de vista que a trama se desenrola.

Entardecer Destaque escrocríticas

Outro eficiente recurso presente é o forte contraste entre luz e sombras na fotografia. A dramaticidade em “Entardecer” e os conflitos no arco narrativo da protagonista são realçados por eles e fica bem marcado o uso de luz natural para que tenhamos ambientes mais verossímeis. Assim, situações passadas no início do século XX não parecem ocorrer enquanto há fartos recursos de luz elétrica e outros elementos surgidos apenas posteriormente.

É uma pena que, no fim, “Entardecer” acabe sendo enfadonho, tedioso. Os pontos de maior relevância do roteiro são espaçados demais durante a projeção, que leva bem mais tempo do que deveria e que não aproveita bem o tempo que acaba tendo. Muitas vezes, não é de se estranhar de assistirmos sequências que não acrescentam em muito ao filme e que acabam apenas tornando-o mais longo. Se a ideia dos realizadores era propor um ar mais contemplativo, não deveriam tê-lo feito de forma espaçada e vazia. Assim, “Entardecer” é uma obra interessante, mas não necessariamente ponto fora da curva dentro do cinema.


Imagens e Vídeo: Divulgação/California Filmes

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CinemaDrama

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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