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CríticaFilmes

Crítica: A estranha vida de Timothy Green

Avatar de Convidado Especial
Convidado Especial
9 de setembro de 2017 3 Mins Read
O menino árvore

timothygreenPOSTER

Querer gerar um filho e não conseguir é uma frustração imensa por que passam muitos casais. É assim com Cindy (Jennifer Garner) e Jim Green (Joel Edgerton). Ao receberem a notícia de que esgotaram todas as possibilidades de terem um filho biológico, voltam para casa arrasados, abrem um vinho e começam a listar em pedaços de papel quais seriam as características do filho que queriam ter. Colocam tudo em uma caixa de madeira e enterram no jardim. “A estranha vida de Timothy Green” é o relato que o casal faz a dois agentes responsáveis por uma possível adoção sobre a experiência que tiveram que os qualifica como pais. O nome dessa experiência é Timothy.

Após a pequena empreitada no jardim, vão dormir. Uma estranha tempestade agita o ambiente e o casal, ao se levantar e sair andando pela casa, encontra um menino de uns dez anos, completamente sujo de terra, em um dos quartos. Esse deveria ser motivo suficiente para um susto bem grande, mas a surpresa deles é bem comedida, como se fosse comum algo assim acontecer. Em poucos minutos o menino, que se apresenta como Timothy, já os chama de pai e mãe, para a alegria de Cindy e Jim, que o aceitam e decidem fingir que o garoto foi adotado. Outro detalhe peculiar: o menino tem folhas que crescem em suas pernas.

É uma produção Disney e é um filme de fantasia, mas a forma como os elementos foram misturados torna a história pouco crível. Na fantasia tudo é possível, mas temos que acreditar nela desde o começo. Ao longo de “A estranha vida de Timothy Green” ficamos nos perguntando como ninguém questiona a procedência do menino, como ele veio para junto do casal. Talvez justamente porque o filme começa com Cindy e Jim sendo inquiridos por agentes de adoção que parecem cumprir muito à risca os procedimentos de praxe, duvidamos então que Timothy possa ter frequentado a escola sem apresentar um único documento.
timothygreen5O estranho menino, interpretado por CJ Adams, é doce e inteligente, e parece realmente pairar acima dos humanos ao nunca se chatear com nada, nem mesmo com o bullying que sofre. Como não deve ser mesmo um personagem cem por cento “humano” (afinal, é produto da caixa enterrada no jardim), todas essas qualidades parecem aceitáveis. Já o casal peca por excesso de entusiasmo, sendo ambos os atores um tanto forçados em suas demonstrações de estados emocionais, sejam eles empolgação ou revolta.

Em papéis secundários, temos participações interessantes como a de Dianne Wiest na pele da tirânica chefe de Cindy e Rosemarie DeWitt como Brenda – a mãe de filhos perfeitos, alinhados, impecáveis e nada espontâneos. Ela é irmã de Cindy e fica evidente a competição entre as duas. Este aspecto do relacionamento familiar é interessante e poderia ter sido mais explorado, assim como a relação ressentida que Tim tem com seu pai.

O ponto alto do filme fica por conta da bela fotografia em tons de verde, marrom e vermelho. A natureza é bastante destacada e as cores vivas do outono são bem exploradas em diversos ambientes.

O roteiro de Peter Hedges é fraco, assim como sua direção, e não fica claro qual é realmente o público-alvo do filme. A princípio, trata-se de um entretenimento para a família, mas não parece ter grandes atrativos para crianças. Talvez os adultos se identifiquem com os conflitos familiares (porém, como já foi dito, isso poderia ter sido mais aprofundado) e com as grandes expectativas que os pais depositam nos filhos, muitas vezes usando-os como objetos de vaidade, exibição e competição. Mas será que eles querem, ao ver um filme de fantasia, ser lembrados disso?


Neuza Rodrigues

Reader Rating3 Votes
3.5
6

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