6 de dezembro de 2019

A verdade por trás do nome

13900591_1573392826288459_1537894610_nNunca existiu, em nenhuma época especifica, um aparelho capaz de medir, propriamente, a falsidade que existe dentro da sociedade, principalmente quando o assunto envolve uma das melhores maquiagens para o carater: O dinheiro. Independente de qualquer coisa, seja país, classe social, cultural ou até mesmo religião, esse sempre será capaz de cobrir e/ou reverter algumas das mais puras atitudes.

Em cartaz nos cinemas de todo Brasil, “Florence – quem é essa mulher?” Mostra com certa simplicidade um pouco dessa verdade, ao relatar história de Florence Foster Jenkins, uma mulher conservadora e rica, apaixonada pelo mundo da arte, principalmente, a música. Conhecida por toda casta de Nova York, devido aos seus trabalhos filantrópicos e extremo cuidado imposto no clube fundado por ela, essa decide passar a se dedicar a sua grande paixão: a música. Para isso contrata os melhores professores que o dinheiro pode comprar, literalmente falando. O problema é que florence não é uma boa cantora e muitos, com medo de perder o retorno de seu investimento, decidem não contar isso a ela, deixando-a expor seu bom nome as graças de um público soberbo e sedento por falhas.

Com uma requintada produção, o filme nos conduz a uma Nova York da década de 30, já tomada por falsos ricos e vis moralistas que se sentem melhores que os outros . Com propriedade, a obra recria o cenário dessa tragicomédia, que não possui nenhum ponto cego, e expõe com leveza um tema que até hoje marca diferentes pessoas em nossa sociedade.

O singelo roteiro, escrito por Nicholas Martin, é quase que uma pérola encontrada em meio a um oceano de mediocridade. Com tanta história ruim sendo produzida, sua escrita permeia com finesse e nos proporciona bons momentos dentro da sala do cinema. A desenvoltura do roteirista pode ser vista em todas as fases do texto, quanto na construção de suas personagens facilmente “abraçadas” pelo público. O apuro dos diálogos que, propositalmente, tropeçam no exagero é outro ponto alto do trabalho de Martin.

Sem precisar abusar de exageros técnicos, efeitos ou maquiagens, os quais assolam o mercado atual, facilitando assim o  trabalho, o diretor Stephen Frears consegue transpor a história de Florence com inteligencia ao optar por planos práticos, convencionais, e o bom uso de determinados ângulos que impulsionam ainda mais o lado emocional e psicológico da mesma. Os enquadramentos escolhidos pela direção é de uma sutileza ímpar, trabalhando harmoniosamente com a qualidade da interpretação do elenco, explicitada através de belíssimas atuações.FlorenceFosterJenkins6Danny Cohen é o responsável por nos presentear com uma estonteante fotografia que embeleza ainda mais o filme, tornando-se ainda mais poderosa quando encontra o impactante e funcional trabalho prestado pela direção de arte. Os rebuscados figurinos de época ornados em tons pasteis, associados ao preto, fazem total diferença nas cenas.

Com uma atuacao magistral, Meryl Streep prova mais uma vez porque é considerada a melhor atriz do mundo. A delicadeza em seu olhar, combinada a suaves gestos, faz de sua personagem uma das melhores do ano. Entretanto, a atriz não é a unica merecedora de elogios, o elenco escolhido a dedo cumpre o trabalho com uma química perfeita. Hugh Grant, foge do mais do mesmo e nos apresenta uma atuação madura e sincera, enquanto Simon Helberg (O Howard de Big Bang Theory) nos encanta com uma performance memorável na pele do pianista Cosme McMoon.

” Florence – Quem é essa mulher” não é um filme para qualquer publico, é uma primazia, uma obra para ver e rever, sendo impossivel não se emocionar todas as vezes. Por isso, digo com veemência: Bravo!

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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