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CríticaFilmes

Crítica: Frankenweenie

Avatar de Convidado Especial
Convidado Especial
26 de agosto de 2017 3 Mins Read
Terror fofo

frankenweenieCARTAZVencer a morte é um velho sonho da humanidade. Perder o querido animal de estimação é, com certa frequência, o primeiro contato de muitas pessoas com a finitude dos seres vivos. “Frankenweenie”, de Tim Burton, é um remake de um curta homônimo feito em 1984. O filme mais recente, longa de animação, é cheio de referências interessantes para adultos (suficientemente conhecedores de cinema para que as identifiquem) e traz personagens um tanto grotescos fisicamente, além de monstros e uma atmosfera de terror que, mesmo não usando atores de carne e osso, pode ser assustadora para crianças muito pequenas ou especialmente sensíveis.

Victor Frankenstein é um menino que coloca Sparky, seu cachorro, para estrelar filmes caseiros. Não parece ter amigos, mas seus pais são amorosos. A família tem uma aparência mais comum, que destoa da galeria de personagens esquisitos. Há Edgar, o corcunda que parece saído de um filme de terror, e a inspiração veio mesmo de Igor, o ajudante do Victor Frankenstein original (o cientista que dá vida ao monstro no clássico de Mary Shelley). Inclusive, a autora do livro é homenageada nomeando uma finada tartaruga (os túmulos do cemitério de animais são uma diversão à parte). Temos também Elsa, menina de ares góticos e sua cachorrinha Perséfone e a sinistra garota de olhos enormes, que considera o formato das fezes de seu gato Sr. Whiskers como portadoras de premonições diversas.

O professor de Ciências lembra fortemente Vincent Price, astro de clássicos de terror. É graças a um comentário seu ao reviver uma rã morta durante a aula (“Como o relâmpago, o sistema nervoso é eletricidade”) que Victor decide fazer experimentos para trazer de volta à vida Sparky, que havia sido atropelado. O cãozinho revive, mas quando Edgar descobre o fato, o filme começa a entrar em um ritmo diferente até chegar a um clímax com muita ação. A história é interessante como um todo, apresentando momentos emocionantes tanto pela ternura no ambiente familiar, pelo afeto entre Victor e Sparky, quanto pelos problemas que se multiplicam a partir da interferência das demais crianças (monstros mutantes atacando a cidade).

frankenweenie2Embora a presença de Johnny Deep tenha se tornado uma constante na filmografia de Tim Burton, desta vez ele não participa. Porém, Winona Ryder, que atuou com ele em “Edward Mãos de Tesoura”, é quem dubla Elsa, a vizinha gótica, e Martin Landau (ganhador do Oscar por interpretar Bela Lugosi em “Ed Wood”) faz a voz do Sr. Rzykruski, o sinistro professor que deseja que seus alunos abram a mente para a ciência. Apesar de sua aparência um tanto estranha, o que assusta mesmo é o comportamento dos pais em relação a ele, pois preferem que os filhos não façam grandes questionamentos. A exceção fica por conta dos pais de Victor.

A trilha sonora de Danny Elfman é fundamental para todo o clima do filme e está presente do começo ao fim de forma bastante significativa. E a criatividade é uma marca desde o início, pois a abertura do longa, aquela tradicional da Disney, sofre uma transformação em questão de segundos: relâmpagos transformam a imagem em preto e branco, o céu fica coberto por nuvens carregadas e a música cria uma sensação apavorante. As letras dos créditos também são típicas de histórias de horror. Há elementos em “Frankenweenie” que nos parecem bem familiares, e são: a vida em família numa casa de subúrbio americano, o sótão, os valentões da escola, o parque de diversões como cenário de situações insólitas. Tudo isso já foi visto em outros filmes, mas da maneira como a história é conduzida, nada fica reduzido a um mero clichê, pois as referências e as boas ideias do diretor tornam “Frankenweenie” capaz de prender a atenção do espectador.


Neuza Rodrigues

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AnimaçãoFantasiaNetflixP&BTerrorTim Burton

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