Crítica: Fullmetal Alchemist

“Fullmetal Alchemist” é uma das animações japonesas mais conhecidas pelo mundo. Chegou a ter duas versões lançadas, e continha um lado com forte apelo filosófico e que propunha muitas camadas a quem lia para além do humor típico desse tipo de produção. Passava longe, então, de algo raso, corriqueiro. Certamente que quem viu uma das duas séries ou leu os quadrinhos originais foi tocado pela obra, que alcançava tanto jovens quanto público mais velho. Eis que é lançada uma versão live-action de Fullmetal Alchemist, mas será que ela faz justiça ao cânone já estabelecido? Como é em comparação a outras versões de animações japonesas com atores reais, tanto rejeitadas pela crítica quanto espectadores casuais?  

Seguimos basicamente a premissa originária da saga, com os irmãos Elric na busca pela pedra filosofal, artefato que os ajudará a resgatar o que perderam na falha tentativa de ressuscitar sua mãe. O roteiro já tem a árdua tarefa de adaptar uma infinidade de episódios para duas horas de tela, e isso mostra problemas aqui. Vemos um filme que se inicia bastante parecido com o que já foi visto nesse universo, mas que se perde ao ter que picotar a trajetória oficial de Edward e Alphonse Elric. É claro que não se poderia manter a história idêntica, mas as escolhas de adaptação se mostram bastante estranhas e muitos elementos são introduzidos sem mais nem mesmo, pois não há construção prévia daquele universo. Apesar disso, o filme se distanciar das fontes é ponto positivo, já que tenta trazer alguma originalidade, trabalho árduo para o mundo que é abordado.

As caracterizações dos personagens são bem problemáticas e parece que alguns constam ali apenas por serem do anime/mangá. Coadjuvantes entram mudos, outros saem calados e isso empobrece o longa. Os que participam ativamente da trama geram estranhamento também, porque dificilmente contam com grau de realidade mesmo no mundo em que vivem. Ainda que estejamos falando de uma fantasia, é preciso acreditar nos indivíduos que se fazem presentes na projeção. Esse problema se torna ainda maior se compararmos ao tratamento dado pela autora desse universo no material que deu origem ao filme. E se o roteiro e nem a caracterização ajudam, tampouco faz o elenco. É bem fraco, de modo geral, e se dá por momentos de afetação enorme que se intercalam com inexpressividade total.

Felizmente, o mesmo não acontece tanto com cenários. Alguns parecem cópia idêntica aos já conhecidos, até mesmo em termos de símbolos e de objetos que há nos lugares. Não é nada deslumbrante, mas também não demonstra desleixo por parte dos realizadores.

Somado a isso, o CGI alterna entre o razoável e o tosco. Funciona bem quando a interação é somente entre personagens e cenários que se utilizam da tecnologia, mas falha imensamente ao retratar a interação desse artifício com o mundo real. Isso se deve, claro, ao baixo orçamento, que se vê pela pouca quantidade de vezes que vemos o braço mecânico de Edward com foco. Não é regra que o baixo orçamento prejudique um produto audiovisual, mas falta criatividade e destreza para lidar com esse empecilho.

“Fullmetal Alchemist” entra, de forma infeliz, para a lista de adaptações ruins de animações japonesas para longas com elenco de carne e osso. Até houve o esforço de que se fizesse um bom trabalho, mas nem isso foi suficiente para que a adaptação fosse de bom nível. Dada qualidade da obra, só nos resta esperar que outra série possa vingar no cinema, ou mesmo que ela não seja feita e suje seu legado. Resta saber qual das duas opções é a melhor.

Crítica: Fullmetal Alchemist
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