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Crítica

Crítica: Hebe – A Estrela do Brasil

Provavelmente há poucos jovens nos dias de hoje que sabem quem foi Hebe Camargo. A geração da internet, que trocou a TV pelos serviços de streaming e pelo Youtube, até acharia graça do estilo de programa adotado pela famosa apresentadora. Realmente, seus trejeitos, seus convidados e mesmo seus cenários fazem parte de uma TV brasileira que não existe mais, para o bem ou para o mal. A produção de “Hebe – A Estrela do Brasil” é uma tentativa de apresentar Hebe Camargo (Andréa Beltrão) para um novo público e, ao mesmo tempo, trazer um recorte de sua vida aos fãs, órfãos desde a sua morte em 2012.

O filme de Maurício Farias não é uma cinebiografia, digamos completa, já que não mostra a infância de Hebe ou como ela se lançou ao estrelato. O roteiro de Carolina Kotscho se interessou mais nos anos 80, quando a apresentadora saiu da Rede Bandeirantes e foi para o SBT. Neste período ela começou a se envolver mais intensamente com politica e entrou em confronto com a ditadura militar, que ainda exercia certo grau de censura, mesmo em um país que já passava por um processo de redemocratização. Seu relacionamento com o filho e com o segundo marido também são abordados, andando em paralelo com a vida de celebridade nacional.

No entanto, de acordo com o filme, a Hebe dos palcos não era diferente da Hebe mãe e esposa. Sua dedicação e seu amor eram os mesmos. A gentileza que usava para tratar sua plateia, sua equipe ou qualquer desconhecido que, porventura, passasse pelo seu caminho, era a mesma direcionada ao filho Marcello (Caio Horowicz) e ao marido Lélio (Marco Ricca). Farias reforça essas qualidades ao filmar sua personagem sempre de frente para os holofotes, realçando seu rosto e fazendo as suas roupas cheias de lantejoulas brilharem.Como uma alma iluminada que passou pela terra, Hebe destoa dos míseros mortais que a cercam. Isso na concepção de quem vê, já que Hebe se achava uma integrante do povo e era para ele que trabalhava. Foi por causa de seu inconformismo social, ao ver o seu povo sofrer em condições sub-humanas enquanto os políticos nada faziam, e por seu afeto ao público LGBT, que ela entrou em colisão com os sensores da ditatura, o que acarretou o término de seu programa na Rede Bandeirantes. Mas, para a desgraça do regime ditador, ela logo foi acolhida pelo SBT de um jovem Silvio Santos (Daniel Boaventura) que, à época, não demonstrava sua predileção pelo neoliberalismo e pelo fascismo que veio à tona recentemente.

Se há um erro da apresentadora mostrado por “Hebe – A Estrela do Brasil” é sua fé em um político como Sérgio Maluf, mas são apenas citações rápidas durante a projeção que não possuem a intenção de macular seu caráter, apenas servem para expor seus raros momentos de ingenuidade. São raros mesmo, pois na maior parte das quase duas horas de duração, o filme mostra uma Hebe determinada, forte e segura de suas decisões. Para tanto, era preciso uma atriz do calibre de Andréa Beltrão. A presença de cena da intérprete e sua capacidade de emular os trejeitos de Hebe Camargo são essenciais para transportar o poder da musa de Roberto Carlos da tela de tubo dos anos 80 aos cinemas dos anos 2000.

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Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures Brasil

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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