Crítica: Hotel Artemis

Poucos sentimentos são tão marcantes quando se assiste a um filme quanto o de que algo está sendo desperdiçado. Seja o potencial de um ator, de um diretor ou algo da obra que se destaca, mas que não faz justiça ao resto. Por outro lado, por mais marcante que isso possa ser, não seria justo dizer que é incomum, pelo contrário. Muitas vezes isso ocorre e, infelizmente, “Hotel Artemis” é mais um com esse tipo de problema. O que começa parecendo mais um longa de ação ou de crime mostra, em seu desenvolvimento, traços de “Black Mirror”, “Corra!” e semelhantes que trabalham com distopias bastante realistas. A ênfase é desenvolver uma narrativa passada em um futuro que seja palpável, não distante da realidade de hoje.

Nesse sentido, pode-se dizer que “Hotel Artemis” entrega bons resultados. Não é o ápice da inovação e da genialidade em termos de cenários e direção de arte, porém vemos aquilo que realmente poderia existir nos próximos anos, décadas. Não se vê carros voadores e nem armas-laser, que também não fazem falta aqui. Além disso, o fato de existir uma rebelião civil em Los Angeles, cidade em que o filme se passa, é o que dá o seu toque distópico, mesmo que não exatamente sido bem explorada. Não seria de estranhar caso houvesse mobilização popular, num futuro próximo, referente a medidas de privatização de água e suas fontes. Com leve explicação, mas presença de alguma crítica baseada na realidade, “Hotel Artemis” traz consigo um bom background para seu desenvolvimento, que vem a ser seu calcanhar de Aquiles.

E diga-se de passagem, não é um pequeno calcanhar de Aquiles. Muitos dos personagens que poderiam carregar o peso dos mistérios que tentam se sustentar por boa parte da projeção não possuem bom desenvolvimento, ainda que se tente fazer isso com um ou outro. Sendo assim, mesmo as revelações que deveriam trazer impacto emocional não o fazem, e apenas acabam tendo a função de não tornar o roteiro tão opaco. Dado esse grande defeito, o desfecho do filme acaba tendo bem pouco apelo, que procura conquistar o público em clichês cenas de ação mais movimentadas, que nem vem a se encaixar muito com a proposta que é vendida no início do longa. Tudo acaba sendo um tanto confuso, com um fim abrupto e sem que liguemos para as situações que assistimos, personagens ou se quer nos interessemos em descobrir mais. Infelizmente não são dadas as ferramentas e motivações para tal.

“Hotel Artemis” poderia ter sido muito, mas foi pouco. Na provável necessidade de ser mais comercial, acabou se traindo quanto as boas ideias que mostrou ter tido e tornou-se mais uma dispensável obra hollywoodiana. Não é um total desastre, mas a indiferença que esse filme traz é tão presente que seria desonesto não comentá-la ao falar sobre ele. Mais um dentre tantos outros que passam batido nas salas de cinema e nos streamings via internet.

 

Crítica: Hotel Artemis
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