Sobre as escolhas de uma vida limitada, mas com a coragem de enfrentar
os desafios que ela impõe

A história de Steve Gleason não é nada comum, vai muito além do que poderíamos imaginar quanto ao desejo de alguém querer viver, apesar de todos as dificuldades trazidas por consequência de uma carreira arriscada como jogador de futebol americano. Tudo que está neste documentário fazem parte dos momentos mais íntimos de uma família e seu drama pessoal.

Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença extremamente rara, degenerativa e até hoje sem uma cura, Steve Gleason, um ex-atleta profissional de futebol americano que se vê diante do maior desafio e decide não desistir tão cedo de uma qualidade de vida. A partir deste diagnóstico, e da recente gravidez da esposa, Gleason decide começar a filmar todos os processos a partir daquele momento.

Em um formato de vlog, ele conversa com a câmera como se estivesse em um diálogo com o próprio filho que viria a nascer. Sabendo que não conseguiria manter uma relação normal com ele futuramente, todo a intenção dos vídeos são muito mais do que simples registros, mas um legado sobre a sua vida.

Maior ainda é o significado da vida de Steve para a cidade de New Orleans, nos Estados Unidos. Ele ficou conhecido como um jogador famoso por “uma jogada”, quando na primeira partida após os desastres ocasionados pelo furacão Katrina em 2005, Gleason foi o responsável diretamente pelo primeiro touchdown do Saints. Futuramente ele ganhou diversos outdoors pela cidade com a famosa cena do jogo, além de também ter ganho uma estátua na entrada do estádio.

A maior parte do filme é feita com imagens do arquivo da família Gleason, com registros de alguns dos momentos mais importantes do período de seu tratamento, outros com várias das viagens feitas por todo o país. Mesmo com as deficiências da doença, Steve nunca abdicou dos momentos especiais de um ser humano, como novas descobertas, viagens e a companhia de pessoas importantes.

“A Luta de Steve” é extremamente emocionante, forte e delicado. A direção de Clay Tweel para organizar todo o material de arquivo e com o acréscimo de novas entrevistas com familiares, criam altos e baixos durante as quase duas horas de documentário. Mesmo tratando-se de uma doença rara, não é difícil a identificação com uma história forte como esta, pois assim como em um filme bem estruturado, temos a presença de uma esposa forte e que precisa lidar com a nova vida do marido e a chegada de um filho. Em alguns momentos é claro o foco em Michel, esposa de Gleason, principalmente quando os primeiros efeitos da doença se tornam mais presentes no dia a dia do casal.

Documentários que abordam momentos extremamente íntimos e sérios na vida de famílias, são sempre difíceis de analisar tecnicamente, mas quando são muito bem montados em cima daquele material original pré-existente, é possível entender o que aquele conteúdo final quer transmitir para o público. A verdade é que no caso de Steve, ele fundou uma instituição de apoio para pessoas que também sofrem com esclerose lateral amiotrófica, chamada Team Gleason. Não deixando de ser em uma certa perspectiva, uma forma de propaganda para sua instituição, já que atualmente eles dependem de doações.

A luta que Steve enfrenta não tem fim, uma escolha que só poderia ser tomada por alguém que tenha a coragem que Gleason sempre teve. “A Luta de Steve” é um dos documentários dramáticos mais emocionantes dos últimos tempos, com toda a seriedade e tristeza, mas com a mensagem mais sincera, como ele mesmo diz: “O futuro pode ser sempre melhor que o passado.”


Por Guilherme Santos

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