Você é do tipo que ao ouvir “Versão Brasileira Hebert Richers” sente um arrepio nas costas ou não faz muito alvoroço sobre isso? Você prefere escutar a voz real dos atores ou o George Clooney sem dublagem parece estranho?

Partindo da prerrogativa que ninguém é mais inteligente por ver filmes e séries com o áudio original e que nos últimos anos as dublagens estão ficando cada vez mais cuidadosas, há coisas positivas nos dois lados dessa história. Algumas obras são bem difíceis de imaginar sem dublagem. Os defensores dessa categoria afirmam também que é mais fácil de acompanhar o filme por inteiro sem ter que ler o que acontece o tempo todo e que isso pode desconcentrar ou tirar o foco das cenas.

Clássicos dos anos 90 como “As Patricinhas de Beverly Hills” podem causar um certo estranhamento em sua versão original. A voz de Adriana Torres, dubladora da personagem principal Cher, casou perfeitamente com a carinha de Alicia Silverstone e ver o filme em inglês pode dar sim uma leve sensação de desconforto que vai perseguir o espectador até o final do longa.

Em alguns casos, os dubladores fazem muito sucesso entre fãs de uma produção, como é o exemplo de Isaac Bardavid, famoso por fazer a dublagem do personagem Wolverine. O sucesso como o super herói foi tanto que até mesmo o ator Hugh Jackman se rendeu ao profissional aqui no Brasil. Dublando o mutante desde 1994, Bardavid é a voz por trás de desenhos e filmes, muitas vezes reconhecido e prestigiado merecidamente pelos fãs, afinal fez um excelente trabalho nesses 23 anos. No começo do ano, Bardavid anunciou que deixará de dublar o personagem, aposentando as garras de Wolverine, junto com Jackman que comunicou queLogan”, filme de 2017, é sua última aparição como o controverso super herói.

Para os fãs brasileiros de X-Men é uma dupla despedida. Os dois profissionais se encontraram durante a divulgação do filme em solo brasileiro e o ator australiano elogiou bastante o dublador nacional, reconhecendo a importância que o profissional teve para a popularização do personagem aqui no Brasil.

De fato, a transição do público de atores mais tarimbados, como Clooney, Keanu Reeves, Al Paccino, Sandra Bullock, Julia Roberts, entre outros, para a voz que eles têm realmente, também causa um leve estranhamento até se acostumar, entretanto, nada que afugente quem realmente quer ver filmes na língua original.

Mas, outras pessoas preferem a versão legendada, fazendo questão de ouvir a voz do próprios atores. Muitos fãs inveterados do cinema reclamam assiduamente sobre a falta de espaço de sessões com legendas. Apesar do número ainda não poder ser comparado, as salas com exibição legendada vem aumentando seu público gradualmente. As maiores queixas em relação a versão brasileira vão desde a falta da fidelidade da voz que se escuta com o ator em cena até que se perde um pouco o trabalho que ele usou para a construção do personagem, uma vez que a composição também tem a ver com a voz, até mesmo ao fato de na dublagem perder algumas piadinhas que ganham versões pouco interessantes quando passam para o português.

Muitas pessoas concordam que de alguns anos para cá a dublagem tem sido feita de maneira mais cuidadosa, porém, a procura pela versão original fez várias redes de cinema pelo país abrirem espaço para a parcela pequena, mas constante do público que pedem o filme legendado. Nem todos os filmes chegam com as duas alternativas, de fato é mais comum que grandes blockbusters estreiem com as duas versões, contudo, em grandes cidades já é possível ver exibições para todos os gostos e público.

A verdade é que como em qualquer assunto que há variáveis, filmes dublados ou legendados tem sua torcida própria. Fazer parte de uma não caracteriza nenhuma pessoa como fã ou não de algo. O que vale é a diversão e o entretenimento que as produções podem trazer.