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Crítica

Crítica: Madame

A comédia é um gênero bastante específico. Mais do que simplesmente entreter o público, ela deve causar o riso. Isso, no entanto, não é das mais fáceis tarefas. É possível até mesmo dizer que uma comédia tende a ser muito bem sucedida ou um desastre, quase que via de regra. E é claro que, juntamente ao que foi posto até aqui, entra a questão de gosto pessoal, dada a variedade do tipo de humor que se pode fazer. Há, no cinema, algumas obras que acabam misturando esse tipo de filme com drama, uma mistura que a princípio pode parecer bastante incomum, mas que possui número considerável de títulos que realiza bem tal tarefa.

“Madame” é uma produção de 2017 que arrisca adentrar algo nessa linha, tentando conter em si comentários sociais também. Seguimos uma narrativa que retrata o mundo da alta sociedade europeia, através de um jantar dado por um rico casal que passa um tempo em Paris para seu seleto grupo de convidados. A noite não sai como planejado e as consequências que vem disso são o que veremos em tela. O que nos gera um primeiro estranhamento, dessa forma, é a falta de fluidez com que os atos do filme ocorrem. São introduzidos numerosos personagens em seu início, mas nem todos tem alguma relevância para o roteiro, de fato, e a maioria deles estão ali apenas para compor cenário, praticamente figurantes. Existem alguns até mesmo que recebem algum destaque mas que são esquecidos momentos depois.

Outro problema destoante que aparece é não existir dosagem entre os tons apresentados. Horas vemos cenas de comédia pastelão, hora de drama com alguma necessidade de engajamento emocional. Como nenhuma das duas coisas é bem feita, a coexistência delas acaba piorando tudo. Aliás, “Madame” parece uma série de grandes esquetes de programa humorístico ligadas entre si de maneira meio desleixada. Para quem reclama dos filmes nacionais de grande bilheteria, que fique sabendo que não é um tipo de longa que existe unicamente aqui.

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Tampouco ajudam a cenografia, maquiagem ou figurinos dos personagens. Fica evidente o baixo orçamento do filme, que não é necessariamente algo negativo, mas que, no caso, reforça os lados negativos que já existem. Dessa forma, cenários pequenos e pouca amplitude nos ambientes em que se está são recursos que são exaustivamente usados ao longo da projeção. Volta e meia até é possível fazer algum paralelo com novelas e produções desse tipo. É algo que também se faz presente nas atuações, que são caricatas e rasas, mas não apenas por conta do elenco, contando com forte influência negativa do roteiro.

“Madame” é, infelizmente, absolutamente esquecível. Uma pena, pois há comentários sociais bastante fortes que poderiam ter sido explorados, e elementos que até poderiam lembrar características da filmografia de Woody Allen. A abertura, acompanhada de uma canção, chega a ser boa e dá esperanças para o espectador, que fica com a sensação de promessa não cumprida, infelizmente. Talvez agrade ao espectador mais casual ou aquele que vá sem nenhuma expectativa, mas não colhe muitos méritos para além disso. Certamente que há filmes semelhantes com muito mais conteúdo, profundidade e densidade que esse.

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Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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