Crítica: Mataindios

Imagem: Divulgação/La Tropilla De ObrajerosImagem: Divulgação/La Tropilla De ObrajerosImagem: Divulgação/La Tropilla De ObrajerosImagem: Divulgação/La Tropilla De Obrajeros

Para o expectador que passa a maior parte do tempo sendo bombardeado por filmes que seguem um padrão narrativo característico do cinema comercial, fica difícil acompanhar uma obra como o peruano “Mataindios”. Sem contar com uma trama tradicional apoiada em um protagonista ou em um gênero, o longa é um recorte construído por imagens que estão lá para serem contempladas e sentidas.

Nos festivais de cinema como a Mostra de São Paulo, filmes desse tipo são habituais, só que há aqueles que geram algum tipo de emoção a partir de seu significado escrito pela câmera, e outros não. “Mataindios”, infelizmente, é um dos que não conseguem gerar qualquer tipo de reação emocional do público, já que trata de assuntos particulares e que dizem respeito a um povo muito específico.

Em um vilarejo peruano, o tal povo começa os preparativos para a festa anual dedicada ao santo padroeiro da cidade, e é acompanhado pelas câmeras dos diretores Oscar Felipe Sánchez e Robert Julca. Cada etapa da preparação está presente em um capítulo definido pela montagem, que “explica” aos leigos todo o ritual que terá seu ápice em uma romaria. Claro que antes há a reunião dos fiéis para preparar a imagem a ser carregada, a dos músicos que tocarão na igreja, etc.

Quem é praticante da religião católica pode até se identificar com o processo, mas o restante do público só achará tudo muito enfadonho e desinteressante mesmo que, esteticamente, o filme seja bastante atraente. O trabalho fotográfico é de alto nível, principalmente por ficar no limite entre o colorido e o preto e branco. Percebe-se um ambiente iluminado pelo sol, mas que mantém um véu de escuridão destacado pelas roupas pretas e pelas sombras. Há cores, como o vermelho da túnica de um padre, só que as tonalidades são apagadas.Sem o brilho da imagem, o semi-documentário se entrega ao clima da romaria, que reverencia a morte como meio de renovação. Se os pertences dos entes queridos falecidos são benzidos pela água benta, as crianças destroem a sagrada imagem do padroeiro e jogam seus pedaços em um desfiladeiro. Assim eles finalizam o culto e abrem caminho para as celebrações futuras. Vida e Morte espreitam os fiéis e estão sempre presentes nos cactos que brotam das terras áridas. Inclusive, são desses cactos que é retirada a água benta usada nas bençãos dadas pelo padre forasteiro. Líquido precioso, essencial à vida, que brota de uma planta própria de solos mortos. Pena que toda essa simbologia só gere momentos monótonos que parecem intermináveis.

Este filme foi visto durante a 43ª Mostra de Cinema de São Paulo


Imagens e Vídeo: Divulgação/La Tropilla De Obrajeros

Crítica: Mataindios
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