Crítica: O Último Amor de Casanova

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A história de Giacomo Casanova, o grande conquistador de mulheres, já foi contada em filmes, livros, peças de teatro e nos quadrinhos. Mesmo sendo italiano, já falou outros idiomas, como o inglês saído da boca do saudoso Heath Ledger. Agora, é a vez de encantar suas amantes falando o francês de Vincent Lindon, no longa “O Último Amor de Casanova” de Benoît Jacquot. Bom, na verdade, suas conquistas até que são mostradas durante a trama, mas é o próprio homem que é arrebatado pela atração que sente pela prostitua Marianne de Charpillon (Stacy Martin).

Provavelmente, o Casanova de Jacquot é o mais feio e velho que já apareceu nas telas, o que não é um problema, já que a intenção é realmente mostrá-lo em final de carreira, digamos assim.  É ainda de se imaginar que a figura real que inspirou o personagem não tinha as feições de astros de Hollywood, o que deixa “O Último Amor…” mais fincado na possível realidade da aparência daqueles que viviam no século 18.  Então, por ele não estar mais na flor da idade, as suas andanças por Londres não levam o espectador a um mundo tão sórdido como era de se esperar.

O que se vê é um sexagenário preso em um relacionamento que parece fadado ao fracasso desde o início. Charpillon o trata com certo descaso e o envolve em inúmeros jogos de sedução que nunca chegam ao fim de forma prazerosa. Há obstáculos que impedem os beijos ou o sexo, e a direção de Jacquot mostra as agruras do amor não correspondido colocando a câmera em primeira pessoa, na perspectiva de seu protagonista, seguindo seu objeto de desejo, que sempre foge antes de ser possuído. Para completar, os cenários iluminados apenas com velas dão uma aura lúgubre ao mundo que rodeia Casanova, como se as luzes de seu espetáculo estivessem se apagando, deixando-o no esquecimento.Infelizmente, o que também não vai resistir ao desvanecimento é o próprio filme, pois sua forma narrativa lenta e acadêmica não é tão atrativa para emocionar a plateia, assim como seu roteiro desinteressante e que tem pouco a dizer. De fato, além do sofrimento de um apaixonado, o que sobra é um filme arrastado e que abusa de diálogos longos. Até a direção de arte e o figurino, tão importantes e geralmente deslumbrantes em filmes de época, aqui são subaproveitados. A banalidade toma conta a partir daí.

* Este filme foi visto durante a 43ª Mostra de Cinema de São Paulo


Imagens e Vídeo: Divulgação/Califórnia Filmes

Crítica: O Último Amor de Casanova
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