Um inimigo a altura.

Quando uma poderosa organização intitulada “O Sindicato” conspira contra entidades honestas, fica praticamente impossível descobrir a verdade por trás de uma cortina de fumaça oportunista formada para confundir, até mesmo, o mais experiente dos peritos. Para entender esse tipo de jogo sujo, muitas vezes, é necessário apostar com as mesmas cartas, praticando os truques do inimigo para descobrir a melhor saída.

Alguns dizem: “Quanto mais você tenta, melhor fica o trabalho!”. Essa é uma precisão que nem sempre acontece no mundo do cinema, tendo em vista enumeras produções desastrosas de continuações e remakes. Já a sequência desse multimilionário projeto, com o perdão da analogia, consegue até hoje realizar essa “Missão Impossível”! O quinto filme da franquia chega aos cinemas com gosto de quero mais, esbanjando charme e expressivas alusões a seus antecessores.

É impossível dizer quantas sequências a história, envolvendo o agente Ethan Hunt, ainda vai render mas, se depender das lucrativas bilheterias, a franquia tem grandes chances de continuar viva se seguir os moldes do poderoso “007” trocando o ator sempre que necessário.

Em nação secreta, Ethan Hunt e a IMF (Impossible Mission Force) se vêm ameaçados por um inescrupuloso terrorista que comanda o invisível “Sindicato”, uma nação clandestina treinada para realizar crimes de alto padrão sem deixar provas sobre sua existência. Sendo assim, cabe a Hunt e sua equipe aceitarem a missão mais difícil de suas carreiras e desmascararem a organização, juntamente com todos os envolvidos, antes que seja tarde demais.

O roteiro, se for basear no tipo de sinopse, pode até parecer mais do mesmo, no entanto, juntamente com o terceiro filme, consegue manter uma boa estrutura do inicio ao fim, surpreendendo em diferentes momentos com importantes reviravoltas e referências clássicas, tais como: a existência do “O Sindicato” e a forma que o agente recebe as instruções do caso, ambos presentes na série de 1966 e, sobretudo, a inevitável comparação da cena do mergulho com o famigerado “Escape abaixo de zero” de Houdini, no qual o artista foi surpreendido pela correnteza que o impedia de realizar seu ato. Mormente, o filme nos envolve completamente na busca desesperada proporcionada pelo personagem de Tom Cruise, nos deixando ansiosos pelas próximas cenas.

Abarrotado de explosões e efeitos especiais a produção, talvez, seja a mais “blockbuster” de todos os filmes e investiu pesado nas cenas de ação. Em alguns momentos somos levados, por nossa memória, a comparar as cenas de moto com a extraordinária perseguição existente no segundo filme.

Com uma direção minimalista de Cristopher McQuarrier (Responsável pelo decepcionante “Tiro Certo”), embrulhada a homenagens explicitas a filmes antigos, Missão impossível impressiona a cada segundo como um grande truque de mágica (Extremamente claro em cenas importantes do filme), deixando o espectador entusiasmado com os mínimos detalhes contidos na fotografia e artifícios de câmera.

Tom Cruise, no auge de seus 53 anos, revela-se ainda mais talentoso e determinado para continuar vivendo o agente da IMF. Dispensando dublês em excelentes cenas de ação, ele consolida a personagem como um herói verdadeiro e humano.

Independente de comentários, Missão Impossível realiza sua função de divertir o público durante todo o espetáculo exibido na telona e, ainda por cima, continuará proporcionando sorrisos aos estúdios que, não duvido, possui ainda um percurso considerável para esse que é um dos melhores filmes de ação (fantástica) dos últimos anos.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Paramount Pictures

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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