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CríticaFilmes

Crítica: Quarteto Fantástico

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
15 de agosto de 2015 2 Mins Read
Um deslize ou apenas a tentativa de algo superior

quarteto fantastico poster

Embora a história não passa nem perto de ser uma das melhores da Marvel (Seja no universo das Hq’s ou cinema), “Quarteto Fantástico” é um clássico que possui conteúdo suficiente para ser bem explorado e, a verdade seja dita, já passou da hora dos estúdios acertarem a mão e desenvolverem um filme que fizesse jus ao trabalho criado por Stan Lee e Jack Kirby. Porém, a tentativa fracassa pela quarta vez levando para as telonas uma produção fatigante que se perde ao longo do caminho, com poucas e específicas ressalvas para o roteiro e a honrosa tentativa do diretor (Josh Trank) de melhorar o conteúdo num todo.

Lançado recentemente no Brasil o filme é disparado o melhor, em termos de qualidade, em relação aos seus antecessores. Com um roteiro desenvolvido a três mãos (Simon Kinberg, Jeremy Slater e o próprio Trank) a história tinha tudo para dar certo ao humanizar os futuros heróis e inovar trazendo-os para outra época de suas vidas, essa nunca antes explorada no cinema. Entretanto, torna-se algo repleto de clichês e mais inverossímil que muitos filmes “fantásticos”.

Com uma premissa um tanto quanto duvidosa, mas bastante instigante, o filme nos coloca na vida de adolescentes gênios, com dificuldades de inserção social, que são convidados a fazerem parte de um programa ultra-secreto que poderá possibilitar a viagem entre dimensões. Com isso, após diferentes testes e uma possível solução para a missão, os próprios adolescentes (esses quais não possuem nenhum treinamento de astronauta) encaram a maquina no interesse de serem os primeiros a fazerem o reconhecimento da nova e inabitável superfície. A partir daí, um desastre coloca em risco a vida de todos os envolvidos e muda para sempre o futuro de cada um deles ao, esses, receberem estranhos superpoderes.

Com um inicio funcional e diálogos bem aplicados até esse momento, o filme começa sua derradeira trajetória a partir daqui nos oferecendo uma quantitativa perda de qualidade em sua produção. A narrativa torna-se algo meio que embromado, perdendo sua força cada vez mais rápido até um módico final. Nesse ponto, nem mesmo os efeitos digitais dão conta do recado pois é nítido a falta de um investimento maior nos mesmos que revelam falhas desde o ambiente destacado na outra dimensão até as cenas de batalha.

Contudo, Josh Trank (Diretor responsável pelo interessante “Poder sem limites”) faz o impossível para segurar o filme até o final trabalhando alguns ótimos planos e sugando o máximo dos atores. O personagem de Reed Richards (vivido pelo, quase, sempre excepcional Milles Teller) perde um pouco da força em alguns momentos mas a qualidade do trabalho do ator supera em outras ocasiões. Já Kate Mara e Michael B. Jordan dão vida aos irmãos Storm de forma singela e interessante. Diferente de James Bell (O eterno Billy Elliot) que mostra extrema competência, em suas poucas aparições, até o momento que se transforma no Coisa.

Entre pontos altos e baixos o filme crava uma estaca no coração das antigas produções de mesmo nome, e algumas outras do universo Marvel, provando que ainda tem muito para contar numa possível continuação.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Fox Film

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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