Quem assiste aos noticiários e se choca com a atual crise de refugiados, sabe que não se trata de um problema novo. Há muito tempo o ser humano precisa fugir de sua terra por causa de alguma guerra, perseguição religiosa ou étnica. Os judeus talvez sejam um dos povos que mais foram perseguidos da história. Essa perseguição fez com que vivessem feito nômades até que o estado de Israel fosse criado em 1948 através de uma resolução da ONU. Antes perseguido, atualmente Israel usa de seu poderio bélico e a ajuda dos EUA para, praticamente, massacrar os palestinos.

Evidentemente, não se pode culpar todos os cidadãos israelenses pelos erros do governo ou mesmo tratar os palestinos apenas como vítimas, é tudo muito mais complexo e de difícil resolução. Cabe às pessoas comuns, os membros mais numerosos da sociedade, a tentativa de abrir os olhos dos líderes políticos e fazê-los enxergar os erros que cometem. Nada melhor que a arte na forma de obras como “Missão no Mar Vermelho” para isso. O filme dirigido por Gideon Raff usa de um astro de Hollywood e de uma roupagem de filme comercial para discutir assuntos graves e dar de bandeja a única resolução possível para qualquer conflito: a fraternidade.

O roteiro do longa segue Ari Levinson (Chris Evans) um agente da Mossad que, em 1977, cria um plano para tirar judeus da Etiópia, onde estão sendo mortos pelo novo governo ditatorial. Para efetuar o resgate, Levinson terá que abrir um hotel de fachada no litoral do Sudão, que servira para os resgates feitos pelos navios israelenses. Ele junta uma equipe de agentes renegados para a missão que conta com a habilidosa assassina Rachel Reiter (Haley Bennett), o médico Sammy Navon (Alessandro Nivola), o atirador de elite Max Rose (Alex Hassell) e outro assassino Jacob ‘Jake’ Wolf (Michiel Huisman). Tudo liderado por Ethan Levin (Ben Kingsley). O grande problema é que o Sudão também é um país extremamente hostil com os judeus e que, como a Etiópia, possui um ditador no poder.

Baseado em fatos, “Missão no Mar Vermelho” pode ser confundido como um filme de ação, a julgar pelo modo como está sendo vendido pela Netflix e pelo seu próprio título em português, mas, na verdade, se trata de um thriller tenso sobre um resgate humanitário. O diretor Gideon Raff não quer transformar sua história em um espetáculo de tiroteios e explosões. Em nenhum momento os mocinhos pegam em armas, mesmo quando são ameaçados por milícias ou são emboscados em uma praia sob fogo intenso. Quando precisam se defender, usam apenas as mãos. A violência fica toda concentrada nos vilões e isso é justificável, já que são eles que cometem os massacres que matam homens, mulheres e crianças. A vida do ser humano não valia nada em alguns lugares da África naquela época. Infelizmente, pouco mudou nos dias de hoje.

Resgatar centenas de pessoas é mais importante para Levinson do que sua vida pessoal ou mesmo sua própria família e ele não quer deixar ninguém para trás. No entanto, é impossível salvar todos em meio à barbárie. Ele sente as perdas, mas sabe que está fazendo um enorme bem a sua humanidade e a do seu país quando consegue levar pelo menos alguns para Jerusalém. Esse filme deveria ser exibido para os governantes da Israel atual, quem sabe assim eles resgatem a humanidade enterrada na escuridão de suas almas.


Imagens e Vídeo: Divulgação/ Netflix


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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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