Crítica: Velozes & Furiosos – Hobbs & Shaw

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Hobbs & Shaw

“Velozes & Furiosos” é uma das franquias que mais se modificou ao decorrer do tempo. Inicialmente, a saga de filmes era basicamente voltada aos carros tunados e corridas de rua, com histórias não tão densas, e desde sempre trazendo o extraordinário em foco. Contudo, através de um empurrão dos protagonistas master da franquia, Vin Diesel e Paul Walker, a saga começou a dar saltos maiores. Começando com o quarto filme, que imprimiu mais ação e um universo mais solidificado na franquia. Depois o quinto, que já se mostrou completamente um longa do gênero ação e com uma produção muito mais trabalhada. Após isso, os que vieram foram grandes Blockbusters de ação, sem compromisso com a realidade, mas com qualidade no que entregavam, sem deixar de lado os carros tunados. Mas uma perda marcou a franquia nesse meio tempo, quando Paul Walker faleceu em um acidente. O mesmo nem pode ver o sétimo filme da franquia e último de sua carreira alcançado uma posição entre as 10 maiores bilheterias da história.

“Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw” é o primeiro spin off da saga, e traz dois personagens já conhecidos do público. Luke Hobbs (Dwayne Johnson), é um agente da CIA Californiano e que tem métodos próprios de resolver seus casos. Já Deckard Shaw (Jason Statham), é um ex-milita britânico que se tornou mercenário. Ambos tem em comum questões familiares mal resolvidas, que servem para alavancar algumas das situações no longa.

E o drama familiar é o grande problema do filme. O longa, em si, tem a proposta de não se levar a sério em momento algum, e isso é bom pois não cria no público uma expectativa de algo profundo para o filme. Mas o roteiro de Drew Pearce e Chris Morgan, acaba se perdendo conforme insere as relações familiares comum aos dois protagonistas. Essas trazem um aspecto dramático que não convém ao longa, e isso acaba gerando diálogos a nível vergonha alheia, em momentos totalmente descabidos, que quebram o clima do filme – seja em cenas de humor ou ação.

Outra coisa que o roteiro não consegue entregar é a clareza na motivação do vilão, Brixton (Idris Elba). O mesmo se torna uma marionete de algo subtendido que, no fim, não leva a lugar algum. E a direção de David Leitch, responsável por “Deadpool 2” e “De Volta ao Jogo” (O primeiro filme de John Wick), acaba por agravar em alguns momentos essas situações, assim como a montagem final – perdendo-se completamente na forma em que tentam contar a história. Enquadramentos desnecessários e transições que não conversam entre si são alguns desses problemas.

Mas nem só de erros vive o trabalho de Leitch, que aposta em cheio em cenas exageradas, surreais, características da franquia, para mostrar o seu ponto forte. Assistindo um longa dessa saga não se esperaria menos que isso. Tal extravagância fica clara em questões como os super poderes de Brixton, ou quando Hobbs segura um helicóptero com uma corrente. Outra coisa satisfatória e que não poderia faltar no longa, são as cenas com os carros tunados e perseguições de tirar o fôlego. Nessas, o destaque vai para o trabalho na escolha dos enquadramentos e ângulos que fornecem mais realidade as cenas repletas de efeitos especiais e visuais – ainda que aqui, as cenas com os carros sejam mais raras do que nos demais filmes da franquia.

Os atores, Dwayne Johnson e Jason Statham, sabem trabalhar o humor entregando diversas passagens divertidas, mas é na cenas de luta é que eles ganham a tela e prendem os espectadores. Enquanto Vanessa Kirby, que dá vida a Hattie Shaw, tem uma personagem um pouco mais comedida em relação aos dois anteriores, contudo, consegue entregar algumas boas cenas, principalmente de ação. Já Idris Elba, esse é prejudicado por um personagem raso. Mesmo que o ator consiga ter uma presença imponente em tela, os diálogos acabam estragando.

No fim, “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw” é um grande filme pipoca, para assistir sem pretensões, apenas como uma diversão. O longa carrega algumas características de filmes de espiões (que é interessante no contexto da franquia) e uma veia cômica mais apurada. Contudo, precisamos levantar os erros, principalmente nas escolhas do roteiro e da direção, que prejudicaram o filme não permitindo que o mesmo alcançasse patamares a altura da produção original.

Obs.: O filme possui cenas pós créditos e se você quer conferi-las, fique até o final dos mesmos.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Universal Pictures

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