Apenas uma década após a amada animação, o remake assume o papel de “reembalagem” comercial da Disney, entregando boa química de elenco, mas esbarrando no paradoxo de um realismo sem cor.
Quando a Disney anunciou a versão em live-action de Moana apenas dez anos após a estreia da amada animação de 2016, ficou claro que o estúdio cruzou uma nova fronteira. As adaptações com atores reais não são mais apenas “atualizações” tecnológicas para capturar uma nova geração de espectadores; agora, o foco mudou para o rebranding e a reembalagem imediata de seus maiores ativos.
O projeto funciona de forma muito semelhante às adaptações da Broadway na segunda metade dos anos 1990: uma engrenagem para manter a marca em evidência e faturando alto. Se o remake de Lilo & Stitch (2025) já indicava essa pressa comercial, Moana confirma que a máquina não pode parar.
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🌊 O Paradoxo do Realismo: Quando o Live-Action Imita o 3D

A transição de uma animação clássica em 2D para o live-action costuma oferecer um ganho visual óbvio de tridimensionalidade. O grande problema de Moana é que a animação de 2016 já utilizava um 3D digital belíssimo e altamente realista. Na tela grande, as paisagens exuberantes, o oceano e até criaturas como a deusa Te Fiti e os piratas Kakamora parecem… exatamente iguais ao desenho. Essa semelhança tira o propósito da própria transição de formato.
A produção claramente tentou corrigir erros do passado no design dos animais. Para fugir das duras críticas ao fotorrealismo bizarro de O Rei Leão (2019) e ao “Linguado” desbotado de A Pequena Sereia (2023), o porco Pua e o galo Hei Hei mantiveram um visual assumidamente cartunesco.
O resultado, contudo, gera outro problema de imersão: fica a incômoda sensação de que a protagonista está contracenando com desenhos animados em um cenário real. Se era para manter a estética de cartoon, teria sido muito mais vantajoso poupar esforços e partir direto para um Moana 3.
⏳ Mais Tempo na Tela, Nenhuma Expansão de Universo

A palavra de ordem aqui é fidelidade comercial. Seguindo a cartilha de O Rei Leão — que arrecadou 1.6 bilhão de dólares reproduzindo a animação quase frame por frame —, o roteiro do novo Moana não altera em nada o mote original da jornada de autodescoberta da jovem de Motonui e sua missão para salvar o povo ao lado do semideus Maui.
O filme comete o pecado de ser consideravelmente mais longo do que a animação, mas sem expandir a mitologia da Polinésia. Enquanto o remake de Mogli: O Menino Lobo (2016) expandiu com maestria o universo da obra original, as cenas estendidas de Moana apenas prolongam passagens que já funcionavam perfeitamente no ritmo ágil do desenho. Sentimos falta daquela energia vibrante deixada pela direção da dupla Ron Clements e John Musker (veteranos da Renascença da Disney que nos deram A Pequena Sereia e Aladdin), que sabiam como ninguém ditar o ritmo de um musical.
O Brilho do Elenco Contra a “Direção de Aluguel”
Apesar das amarras corporativas, o filme entrega ótimos momentos graças ao seu elenco. Havia um receio inicial pelo fato de os atores não se parecerem fisicamente com as suas contrapartes desenhadas. Dwayne “The Rock” Johnson traz seu físico de fisiculturista (ainda mais moldado com um macacão de borracha reproduzindo as tatuagens vivas de Maui) no lugar das feições clássicas do semideus e daquela forma de guerreiro polinésio. A estreante Catherine Laga’aia não é idêntica à Moana da animação, mas tem seu carisma.

Ainda assim, a química funciona. Laga’aia é uma grata surpresa, carregando o peso do protagonismo com excelente presença de cena e vocais impecáveis. A dinâmica entre os protagonistas ganhou mais tempo e o arco de abandono de Maui recebeu camadas um pouco mais dramáticas. Moana surge ainda mais empoderada, demonstrando habilidades refinadas e rejeitando com unhas e dentes o rótulo limitador de “princesa”.
Por trás das câmeras, o diretor Thomas Kail (conhecido por seu trabalho em Hamilton) proporciona uma condução correta, mas assume um papel nítido de “diretor de aluguel”. As decisões criativas parecem tolhidas pelo estúdio, permitindo ao cineasta apenas pontuais intervenções para inflar a grandiosidade visual de algumas cenas — embora o acabamento final do longa na tela seja muito superior ao que foi apresentado nos trailers, driblando em grande parte aquela incômoda estética artificial de estúdio em tela verde.
🎶 Trilha Sonora: A Tradição das Canções Idênticas
As canções icônicas de Lin-Manuel Miranda retornam na mesma ordem e com arranjos praticamente idênticos. Enquanto números como You’re Welcome ganharam uma roupagem mais feérica e enérgica, outras composições empalideceram diante do charme do material original.
Para cumprir o protocolo exigido pela Academia, o filme traz uma única canção inédita nos créditos: “Along the Way”. Também assinada por Miranda, a faixa é um belo dueto que une Auli’i Cravalho (a voz original de Moana) e Catherine Laga’aia, funcionando como uma bela passagem de bastão musical.
APROVEITE JÁ
JBL, Caixa de Som, Boombox 4, Bluetooth
Luz de vídeo ULANZI VL120 RGB, Luzes de vídeo de bolso LED On-Camera
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX)
🏁 O Veredito

O live-action de Moana é um produto bonito, tecnicamente bem-feito na maior parte do tempo, mas que sofre com o efeito colateral do fotorrealismo ao desbotar as cores vibrantes e a graciosidade lúdica da animação.
Como obra cinematográfica isolada, falha em justificar sua própria existência. Como estratégia de mercado para potencializar a franquia bilionária no streaming e manter o público aquecido para os próximos passos da personagem no cinema, cumpre seu papel de reembalar com competência uma história que já sabíamos que era excelente. Certamente vai entreter as crianças e agradar aos fãs mais fervorosos, mesmo que a sua principal função seja nos fazer querer voltar para casa e dar o play no filme de 2016.



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