Não é por qualquer motivo que o terceiro capítulo da nova temporada de “Game of Thrones” se chama “A Justiça da Rainha”. Dando continuidade ao tema da memória de “Nascida da Tormenta”, o terceiro capítulo foca em consequências e punições. Esse exercício de relembrar o passado tem sido o melhor da temporada até o momento, e se mostra fundamental no contexto de guerra.

Sem perder tempo, o episódio começa com a chegada de Jon Snow a Pedra do Dragão. Jon é recebido, mas sua recusa em jurar lealdade instantânea a Daenerys quase acaba com a possibilidade de uma parceria. Embora a sequência tenha sido satisfatória, alguns tropeços de roteiro ficaram muito claros. O bastardo pode não ser um grande articulador, mas sua falta de traquejo ao falar sobre os Caminhantes Brancos soou como falta de capricho do roteirista. É compreensível que seja criado um conflito entre os dois – senão ficaria tudo muito fácil para a Targaryen -, mas não deixou de ser incômodo.

A conversa deles é interrompida com a chegada de Varys, com informações desagradáveis: Euron atacou a frota dos sobrinhos. A perda de aliados faz Daenerys seguir o conselho de Tyrion, e permitir que Jon minere o Vidro de Dragão. Mas ambos os lados têm motivos para desconfiar do outro, e parece que será difícil unir a dupla. Muitos fãs têm criticado a prepotência de Daenerys nessa temporada. Convenhamos, Dany sempre foi assim. Não foram poucos os erros que a moça já cometeu por impulsividade. Embora siga causas mais nobres que o pai, tem grandes possibilidades de se tornar outra tirana.

Em Porto Real, Euron entrega o presente prometido para Cersei: Ellaria e a filha, Tyene. Cersei promete atender ao pedido de casamento do pirata assim que a guerra for vencida. Depois disso, mata Tyene com o mesmo veneno que matara Myrcella. Apesar das pequenas vitórias, a situação ainda está complicada para os Lannisters: o dinheiro da família acabou, e o Banco de Ferro vai até Porto Real cobrar suas dívidas. Cersei promete pagar tudo em uma quinzena.

Em Winterfell, Sansa governa sem dificuldades. Vale lembrar que, ao contrário de Arya, a moça aproveitou ao máximo sua “educação formal”. Assim como Catelyn, ela tem tudo para ser uma boa administradora. Mindinho continua suas investidas, mas Sansa ainda o mantém afastado.

Para a surpresa geral, Bran e Meera chegam em Winterfell. Apesar da felicidade de Sansa, o caçula permanece distante e não dá muitas explicações sobre o que passou. Quando Sansa insiste que Bran é o herdeiro legítimo de Winterfell, o garoto dá uma demonstração de seus poderes, descrevendo o dia do casamento da irmã com Ramsay Bolton. Embora não pareça mais apto ou interessado em retomar seu lugar na família, Bran é um aliado importantíssimo: é o único que sabe sobre a verdadeira origem de Jon, e que pode revelar os planos de Mindinho.

Enquanto isso, o tratamento que Sam prescreveu para Jorah parece ter funcionado e o cavaleiro se curou da escamagris. Jorah e Sam se despedem, e o primeiro parte ao encontro de Daenerys. Sam, ao contrário do que esperava, recebe a recompensa de permanecer na Cidadela e a tarefa de ser copista de diversos documentos antigos. O aprendiz pode ter se decepcionado, mas provavelmente vai encontrar informações preciosas nesses pergaminhos.

O episódio termina com a invasão dos Imaculados a Castely Rock. Tyrion aproveita os conhecimentos que adquiriu ao construir os esgotos da casa de sua família para infiltrar Verme Cinzento e sua tropa. O plano dá certo, mas ao contrário do esperado, o castelo está abandonado.

Jaime, apoiado pelos Tyrell, faz um ataque surpresa a Jardim de Cima e derrota os soldados Tyrell. Encurralada em seu castelo, Olenna recebe de Jaime uma pena branda: envenenamento. O cavaleiro lhe diz que convenceu Cersei a poupá-la, e que será uma morte sem dor. Em seus últimos minutos, a matriarca Tyrell lhe revela que é a assassina de Joffrey.

“A Justiça da Rainha” deixou escapar vários tropeços de roteiro – além do já citado encontro de Jon e Dany, tivemos a cura milagrosamente rápida de Jorah, e a súbita lealdade do povo de King’s Landing a Cersei, entre outros. Ainda assim, foi um episódio fiel a sua proposta e que reequilibrou a guerra. Se antes a vitória de Daenerys parecia completamente certa, algumas dúvidas surgiram.

Entre os bons momentos, merecem destaque às conversas de Jon e Tyrion, e Jaime e Olenna. Se faltou interação com Danerys, sobrou química entre os dois “bastardos”. As relações pessoais sempre foram importantes na série, e essa temporada tem dado um enfoque especial na questão. O estranhamento entre Bran e San, e a bela despedida de Jorah e Sam também são exemplos positivos.

A conversa entre Jaime e Olenna, além de mostrar um excelente trabalho dos atores Nikolaj Coster-Waldau e Diana Rigg, selou todo o tom e a temática do capítulo. O cavaleiro diz ter aprendido com seus erros, mas não foi capaz de suspeitar da senhora.

No teaser do próximo episódio, fica claro que Dany vai assumir a postura ofensiva que tanto tentou evitar. Será que a Mãe dos Dragões aprendeu tanto com o passado quanto seus adversários?