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Crítica

Crítica: Moonlight – sob a luz do lar

“Moonlight: sob a luz do luar” é um filme dirigido e roteirizado por Berry Jenkins que sairá logo nos cinemas. O diretor de Miami não tem uma extensa produção, no entanto mostra um filme sério e maduro em Moonlight, representando a periferia de sua cidade.

Chiron (Alex Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes) é um menino negro da periferia de Miami que tem sua história contada da infância, adolescência até a fase adulta. Ele se esforça por sobreviver em uma comunidade violenta numa história de crescimento e auto-conhecimento.

A história é de Tarell Alvin McCraney e procura mostrar o ambiente violento, de drogas e prostituição em que as crianças estão inseridas na periferia. Tais elementos podem passar como clichês, como dramas repetidos em diversas histórias sobre o mesmo âmbito no mundo. No entanto, difícil é ignorar tal realidade, ou ainda, difícil seria ignorar o efeito dessa realidade na vida de uma criança a se desenvolver ali em seu centro.

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Ainda que o drama mostre tais lugares comuns, se preocupa em inovar nas contradições, ou melhor, nos paradoxos de uma parte da sociedade tão complexa, focando-se nas ações boas de criminosos e nas ações más de quem amamos.

Logo no início nos deparamos com Juan (Mahershala Ali), o traficante. O ator de “House of Cards” e “Luke Cage” consegue tomar a cena com seus gestos tão particulares, seu tom de voz e um sorriso pouco visto no cinema. Outro reforço bom é de Kevin adulto (André Holland) de “42”, “Selma” e a série “The kinck”, que não poupa leves trejeitos que dão vida a um personagem com pouco tempo.

A fotografia do filme é boa. Procura sempre focar o personagem no centro, dando uma certa personalidade à filmagem. No entanto, uma lente com o mesmo foco é usada repetidas vez, o que pode ser um empecilho ao espectador mais atento, mas nada grave. As partes que geralmente mostram movimentos são da direita para a esquerda, senão todas, dando a impressão de que, quando não está parado, a vida do protagonista está de alguma forma sempre indo para trás. Uma escolha estética curiosa.

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Outro fator curioso é o figurino de Juan que muitas vezes mostra uma relação com as estampas africanas que, dentro de discussões sobre o que é ser negro, aprofundam a questão e valorização de uma identidade nesse sentido. Ele, assim, é o caminho para a origem, o início da vida de Chiron.

Todavia, fica para a sexualidade o tema central do filme: a descoberta e os ecos que pode ter na vida dos personagens; como encará-la e decidi-la em um meio tão hostil; mas também como lidar com o carinho e amor. De uma mesma maneira, a cadeia, uma realidade de tantos da periferia, se mostra um meio transformador tanto para o bem, quanto o mal. Em outras palavras, como através dela alguns se acham e outros se perdem de si mesmos.

Moonlight, porém, em uma visão geral, se foca na empatia e conexão humana que pode ser rara para alguns e como, ainda que por cima de diversos obstáculos, são os sustentáculos da vida humana.

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Por Paulo Abe

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