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CríticaFilmes

Crítica: O Homem Que Viu o Infinito

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
27 de setembro de 2016 3 Mins Read
Quando a modéstia pega o caminho errado
 
O Homem que viu o Infinito 01Se você não estuda ciências exatas, matemática para ser mais preciso, provavelmente nunca ouviu falar no indiano Srinivasa Ramanujan, que, sem formação acadêmica, realizou contribuições substanciais nas áreas das séries infinitas, frações continuadas, análise matemática, teoria dos números, e muitas outras. “O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Kwen Infinity)”, que já está em cartaz nos cinemas, traz de forma modesta, e por vezes rasa, a cine biografia do matemático indiano.
 
Em 1910, Srinivasa Ramanujan (Dev Patel) é um homem de uma enorme capacidade intelectual, que mesmo a extrema pobreza de sua vida em Madras, na Índia, não pode esmagar seu sonho de publicar suas descobertas. Eventualmente, sua destreza em matemática e sua confiança ilimitada passam a atrair a atenção do matemático britânico G. H. Hardy (Jeremy Irons), que o convida para desenvolver ainda mais os seus cálculos no Trinity College, em Cambridge. Forçado a deixar sua jovem esposa, Janaki (Devika Bhise), Ramanujan encontra-se em uma terra onde sua cultura nada vale, assim como suas teses sem comprovação científica, embarcando numa Grã-bretanha preconceituosa, a caminho da Primeira Guerra Mundial. Porém, Ramanujan junta-se a Hardy em uma luta mútua que o definiria como um dos maiores estudiosos modernos da Índia, que quebrou mais de uma barreira em “seus mundos”.
 
O roteiro e a direção ficaram por conta do iniciante Matt Brown que trouxe em ambas atividades uma grande vontade de contar a beleza por trás da realidade, mas acabou falhando em vários pontos. Na trama, baseada na biografia escrita por Robert Kanigel, não há um clímax real para a história, os conflitos culturais assim como outros problemas enfrentados pelo protagonista no início do século XX são pouco explorados e passam quase despercebidos, como se não houvesse necessidade de mostrar a real frustração.
 
Em sua direção há uma prioridade de planos abertos como uma proposta de exposição para as distintas realidades entre Madras e Cambridge. No enquadramento acontece o mesmo e a famosa regra dos terços, que não é uma regra obrigatória, torna-se uma repetição de centralizações que reforça a teoria, mal embasada e mal esclarecida na obra, de que o que o protagonista sabe por instinto é oriundo de Deus. Resumindo seu trabalho em ambas categorias: A ideia era enaltecer uma figura única e histórica, mas se torna uma obra de beleza plástica e neoclássica, em que os ingleses não possuem culpa alguma e são no máximo “pessoas frias”.
O Homem que viu o Infinito 05
A trilha apresenta uma proposta interessante, intercalando melodias próximas à música clássica junto com os fortes e característicos ritmos indianos. Os problemas ficam em sua aplicação, tornando massacrada e, por muitas vezes, esboçando uma emoção não existente na imagem que presenciamos. O que ocorre ao contrario se tratando da Arte, Figurino e Caracterização, que não só conseguem expressar beleza, como verossimilhança e alinhamento sociocultural à trama.
 
Outro ponto forte do filme fica a cargo do elenco encabeçado por Dev Patel e Jeremy Irons, que nos trazem boas interpretações, sem nenhum tipo de sobrepeso e/ou exagero. Ainda que Dev já tenha mais do que mostrado sua capacidade de ser o jovem humilde e sonhador indiano, ele ainda consegue convencer tal narrativa, porém, uma hora isso irá se esgotar. Irons se sobressai, com relação a ele, não só por sua monstruosa experiência e qualidade cênica, mas por expor um personagem interessante, por muitas vezes contraditório, e de um refinado humor negro. Vale ressaltar, que o elenco secundário é uma parte que se tornou essencial, trazendo nomes “não tão” famosos, mas de grande peso artístico, como Toby Jones, Stephen Fry e Kevin McNally, além da grata surpresa de ter Devika Bhise como a doce Janaki.
 
“O Homem Que Viu o Infinito” é um bom filme, mas se perde quando se trata de um drama biográfico. A necessidade de se fazer um filme sobre matemática e teorias abstratas, para a época, direcionado à um publico que desconhece tais teorias, tornou-se bem realizada, mas sem muito o que dizer se tratando do contexto de uma maneira geral. O que faltou foi a consistência da beleza dramática, que poderia fazer do filme uma obra verdadeiramente infinita, inspiradora e inesquecível.

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5.5
7

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Tags:

Cine BiografiaDramaHistóriaÍndiaInglaterra

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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