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CríticaFilmes

Crítica: O idiota do meu irmão

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Convidado Especial
22 de julho de 2017 3 Mins Read
Um homem sem filtro

idiotairmãoCARTAZParente ninguém escolhe. E, dependendo do grau de relação sanguínea, fica ainda mais difícil escapar quando a pessoa em questão é alguém complicado. “O idiota do meu irmão” traz Paul Rudd como Ned, um cara que definitivamente não está pronto para viver neste mundo, seja por estupidez ou por ingenuidade. E por conta das encrencas em que se mete, sempre sobra para suas irmãs Liz (Emily Mortimer), Miranda (Elizabeth Banks) e Natalie (Zooey Deschanel).

Ned vendia orgânicos na feira quando foi abordado por um policial uniformizado, que alegando estar tendo uma semana ruim, lhe pergunta se tem maconha para vender. Depois de alguma insistência, Ned acaba lhe entregando a erva por vinte dólares, e logo em seguida recebe ordem de prisão. Após cumprir pena de alguns meses, ele descobre que a namorada não o quer mais na fazenda onde viviam e plantavam, além de já tê-lo substituído por um homem de inteligência similar e se apoderado do querido cachorro Willie Nelson.

Ned parte então para a hospedagem na casa das irmãs, uma por uma, e durante esse tempo vai cometendo gafes que as enlouquecem. O problema de Ned é que ele não tem filtro e entrega todo tipo de informação sem pensar nas consequências. Parece desconhecer totalmente a necessidade de omitir determinadas verdades para que as relações sociais funcionem. O curioso é que dessa forma ele acaba trazendo à tona questões que as três mulheres não conseguiam – ou não queriam – enxergar.

Logo no início do longa, temos uma prévia de quem são as irmãs através de pequenas cenas cotidianas com cada uma. Depois, sabemos um pouco mais: Liz é aquela que se tornou desleixada depois da maternidade e vive às voltas com duas crianças enquanto seu marido Dylan (Steve Coogan) a trai durante a filmagem de um documentário; Miranda trabalha numa revista famosa e está obcecada com a ideia de escrever uma matéria que a faça subir no ambiente profissional; Natalie é bissexual, no momento namorando uma mulher, a advogada Cindy (Rashida Jones) e faz apresentações de stand-up na noite de Nova York, onde todas vivem.
idiotairmão5Embora as atrizes sejam boas, o roteiro de Evgenia Peretz e David Schisgall não lhes proporciona cenas brilhantes. Por outro lado, os personagens secundários acabam se destacando, como o menino River (Matthew Mindler), Cindy e Dylan. Este último, cínico e manipulador, tem ótimos momentos quando tenta se justificar agindo de forma superior. As características mais risíveis dos personagens poderiam ter sido mais valorizadas, já que se trata de uma comédia. O casal Liz-Dylan é o que chega um pouco mais perto nesse sentido, por sua obsessão em criar os filhos de forma politicamente correta (e chata), desaprovando, por exemplo, que River faça aulas de luta. Um momento interessante é a conversa entre as irmãs em que Liz acaba ficando na berlinda e tendo sua aparência criticada (seu cabelo é comparado a uma “experiência científica”). Os figurinos foram uma escolha acertada, a começar pelos Crocs usados por Ned e a peruca que transformou Paul Rudd num hippie do século XXI. Suas irmãs, que são três tipos totalmente diferentes, estão bem caracterizadas de acordo com seus respectivos estilos.

Não há nada muito relevante em termos de fotografia ou enquadramentos, nem ousadias na direção de Jesse Peretz. A trilha está em sintonia com o protagonista, que não por acaso batizou o próprio cachorro de Willie Nelson, cantor de country music. Embora tolo, Ned possui um certo carisma que coloca o espectador a seu favor, mas ainda assim o filme é morno; para que uma comédia seja boa não é preciso arrancar gargalhadas exageradas. Mesmo provocando algumas risadas, “O idiota do meu irmão” acaba sendo uma distração esquecível.


Neuza Rodrigues

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6.5

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ComédiafamiliaNetflix

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