No churrasquin. No churrascão!

Pode começar a soltar a voz e treinar “La, La, La” e o “Le, Le, Le”, em vários tons, para acompanhar nosso MixTape! Isso mesmo, hoje é dia de alegria e de dor de cotovelo. E a melhor maneira de sofrer ou se alegrar é com os amigos, afinal amigo que é amigo tá junto para o que der e vier. E para juntar a galera, nada melhor que um churras, com muita carne, aquele arroz com farofa e vinagrete, muita cerveja e obviamente: Pagode!

Para quem não sabe, o Pagode é um estilo originado do brasileiríssimo Samba. Sua origem ocorre, mais ou menos, no final da década de 1970 e início de 1980, no Rio de Janeiro. Assim como o Axé, pois os ritmos surgiram basicamente no mesmo período, o pagode também sofreu e ainda sofre muito preconceito. Falando em Axé, que também é um ótimo ritmo para tocar no churras com a galera, dá um confere em “Axé: Canto do Povo de Um Lugar”. Mas agora, vamos voltar a história do Pagode.

O termo que dá nome a esse estilo musical é usado no Brasil há muito tempo. Pelo menos desde o século XIX segundo os historiadores. Antes de ser o nome dado às tradicionais rodas de samba nos fundos dos quintais, ele era associado às festas que aconteciam nas senzalas. Mais tarde veio a se tornar o sinônimo de qualquer celebração caseira que tivesse roda de músicos e danças regados a muita comida e bebida. Olha nosso churrasco na área.

Com o passar do tempo, o “pagode” virou enfim um sinônimo de samba, por causa dos sambistas que usavam esse nome para convidar os amigos para suas festas. E esse movimento caseiro, e, de certa forma, marginal à grande mídia, acabou crescendo. E foram aqueles que cresceram com o pagode em casa que o proliferaram como gênero musical. Então,vamos botar a carne para assar, abrindo aquela gelada e pegando o pandeiro. Nossa seleção pagodeira começa agora!

Bom, a grande responsável por difundir o pagode e revelar talentos é quem abre nossa seleção. Beth Carvalho que conheceu o gênero quando visitou a quadra do Cacique de Ramos e se encantou. Ela começou a gravar várias músicas e ainda colocou no mercado nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e o grupo Fundo de Quintal. Então, depois de abrirmos com “Samba no Quintal”, que é a cara do movimento, vamos com a clássica “Vai Vadiar”, do Zeca fanfarão.

    

Mas foi com o sucesso feito por eles que a indústria fonográfica da época resolveu investir. Porém, fizeram algumas mudanças para “competir” com os sertanejos. Para começar, as músicas passaram a ser mais adocicadas. Ao invés de serem um retrato popular, começaram a ser muito românticas, sobre amores e desamores. Mais sobre desamores mesmo. Além de terem usado a tecnologia para inserir trechos mais eletrônicos, etc.

Nessa “nova” fase, temos Raça Negra com a melhor frase de todos os tempos, presente em “Cheia de Manias”. Todo mundo cantando agora: “Então me ajude a segurar / Essa barra que é gostar de você / Hiê! / Didididiê Didididiê ê ê / Didididiê…” Como não amar?! Não bastando, pode segurar a voz porque também temos “Me Apaixonei Pela Pessoa Errada”, do Exaltasamba. Pode manter o volume alto e cantar em coro meu povo! “Eu me apaixonei pela pessoa errada / Ninguém sabe o quanto que estou sofrendo / Sempre que eu vejo ele do seu lado / Morro de ciúmes estou enlouquecendo!” Só tem hino, Brazel!

    

Mas se acha difícil separar samba do pagode, daremos mais uma questão. Na Bahia tem o pagode baiano que é muito confundido com o Axé, que se expandiu em paralelo como havíamos falado. O ritmo também é conhecido como pagodão, swingueira e/ou quebradeira. E sabe quem é um dos grupos precursores?! “Sabe de nada inocente!”, se pensou em É o Tchan!, acertou em cheio “ordinária”, mas na época o nome era Gera Samba. Pois o “pau que nasce torno”, não é axé, é um pagodão de duplo sentido que todas as crianças quebravam os quadris com os pais batendo palma e achando lindo. Hoje, nós continuamos quebrando os quadris e quem aplaude somos nós mesmos.

Na mesma época e com um sucesso tão grande quanto, tivemos o Terra Samba. Quem foi criança nos anos de 1990, sabe do que estamos falando. Saber as “coreô”, era obrigatório para qualquer festa de aniversário, churrasco, almoço de família e até para impressionar os boys e as girls. Bom, na realidade, todo mundo queria entrar no clima e “Liberar Geral”, mas aí fazia a face e ficava de carão porque ainda não tinha idade. Estamos de olho crianças.

    

Voltando ao nosso pagode romântico, que é o mais famoso, jamais poderíamos deixar de falar do grupo mineiro SPC ou Só Pra Contrariar. Só para ter uma ideia, o disco lançado em 1997, com o nome do grupo é o 4º mais vendido da história da música brasileira até 2016. A lista completa você encontra aqui. E jamais esqueceríamos a paródia “Tô fazendo amor com 8 pessoas”. “Depois do Prazer” é um dos maiores sucessos do grupo até hoje e dificilmente alguém vai esquecer o ritmo lento, para dançar coladinho cantando no ouvido “Fica dentro do meu peito / Sempre uma saudade (Saudade!) / Só pensando no teu jeito / Eu amo de verdade / E quando o desejo vem / É teu nome que eu chamo (É teu nome que eu chamo!) / Posso até gostar de alguém / Mas é você que eu amo / (Você que eu amo!)…

Mas também não podemos esquecer que para curtir um pagode é preciso ter Molejo ou Molejão. Pois é, com esse nome descontraído que o grupo carioca usou do bom humor para conquistar o público. E conseguiu, afinal suas principais canções nunca foram esquecidas. Entres as músicas, temos “Brincadeira de Criança”, “Dança da Vassoura”, “Paparico”, “Samba Diferente”, “Pensamento Verde” e o hit nacional que até a Lady Gaga já conhece “Cilada”. Como vocês já sabem: “Não era amor, era Perfect Illusion cilada!

    

Nós ficamos por aqui (deixando o cavaco chorar), mas o churrasco pode continuar, afinal grupos de pagode e hinos não faltam. Oh, ainda tem Sorriso Maroto, Katinguelê, Art Popular, Revelação, Pixote, Jeito Moleque, Pique Novo, Nosso Sentimento e assim vai. É pagode para vários encontros regados a muito amor, alegria, comida e álcool (com juízo crianças)! Porém, tem que cantar e dançar junto, se não, não tem graça. Então, até semana que vem, com mais uma incrível seleção no nosso MixTape!


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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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