Crítica: Rei Arthur – A Lenda da Espada

Desde os finais de sucessos como “Senhor dos Anéis” e “Harry Potter” a Warner Bros vem procurando uma nova franquia que sustente o seu catálogo durante os anos. Conseguiu ótimo desempenho com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, mas, como uma andorinha não faz verão, aposta em produções como o novo “Rei Arthur: A Lenda da Espada”, esperando tirar daí mais um sucesso de bilheteria. Depois de várias adaptações da história dos cavaleiros da távola redonda, há a necessidade de atualizar o mito para a nova geração, tentando transforma-lo em mais um ícone pop. Alguns desses filmes predecessores tiveram lapsos dessa tentativa de atualização, mas esbarraram na falta de interesse do público. O exemplo mais recente é de 2004, com “Rei Arthur”, dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) e que conta com um elenco estrelar.

Quando se pensa em filmes pop, logo nos vem à mente a edição picotada, os diálogos espertos e engraçados e os personagens carismáticos, além, é claro, as indispensáveis cenas de ação. Todos esses fatores , quando ligados a um bom roteiro, geralmente agradam o público e, por que não, os exigentes críticos. Um dos nomes na indústria que pode entregar todos esses elementos em forma de filme é o talentoso diretor Guy Ritchie, que, a julgar pelos seus melhores trabalhos, não precisa de apresentação.

Em “Rei Arthur: A Lenda da Espada” Guy Ritchie até consegue imprimir seu estilo em algumas sequências, como na excelente introdução, onde conta a vida de nosso herói desde a infância até a fase adulta de forma acelerada e com cortes extremamente rápidos. As cenas de lutas, com sua famosa câmera lenta, também se fazem presentes, assim como os diálogos rápidos, onde um personagem completa a fala do outro e se tratam por apelidos que parecem saídos das ruas da Londres do século XXI. Uma versão de “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaça e Dois Canos Fumegantes” da idade média.

Mas, mesmo com seu apuro técnico, o cineasta não consegue fugir de um roteiro genérico que, mesmo tentando subverter a clássica história de Rei Arthur, se mostra frágil em emular diversas ideias já vistas em outros filmes de fantasia. Por isso, quem pisou em uma sala de cinema durante os últimos dez anos, saberá exatamente como toda a história irá se desenvolver e como será seu desfecho. Para completar, há o elenco com Eric Banna e Jude Law no automático, um Charlie Hunnam unidimensional e toda uma gama de coadjuvantes como enfeites de cena.

Para quem se interessar eis a sinopse: Arthur (Charlie Hunnam) é um jovem das ruas que controla os becos de Londonium e desconhece sua predestinação até o momento em que entra em contato pela primeira vez com a espada Excalibur. A partir daí, ele precisará dominar os poderes da espada para derrotar o tirano Vortigern (Jude Law). Genérico não?

Claro que, por causa das peripécias de Guy Ritche e dos bons efeitos visuais, o longa se mantém em um patamar aceitável em seu desenrolar, contentando o público eventual que vai aos cinemas com a intenção de se divertir. A diversão poderá ser aproveitada por todas as idades já que o sangue é artigo raro durante a projeção, mesmo se tratando de uma história passada em um contexto extremamente violento. A trilha sonora também pode ser tratada como um ponto positivo e agradável. As músicas acompanham o ritmo do diretor em batidas rápidas e acordes empolgantes, trazendo mais ritmo em sequências que, sem elas, talvez fossem comuns.

No geral, “Rei Arthur: A Lenda da Espada” é um filme que pode ser conferido sem medo se você está procurando alguma coisa para assistir no fim de semana. Provavelmente você vai sair do cinema satisfeito e com a sensação de que o dinheiro do ingresso valeu a pena, mas não espere lembrar-se de tudo o que passou na tela depois de algumas horas. Isso é certeza!

OBS: Evite a versão em 3D se você é daqueles que espera mais do que objetos lançados em seu rosto.

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