Novo filme de Zach Cregger equilibra tensão, violência e comédia, enquanto Austin Abrams conduz uma jornada caótica por Raccoon City
O filme “Resident Evil” chega aos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026 apostando em uma abordagem diferente para a franquia. Dirigido por Zach Cregger, de “Noites Brutais” e “A Hora do Mal”, e escrito por ele ao lado de Shay Hatten, o longa acompanha um protagonista comum jogado no meio de um pesadelo. A pergunta que surge logo no começo é simples: como transformar uma história de sobrevivência zumbi em algo tenso e, ao mesmo tempo, genuinamente engraçado?
Com cerca de 90 minutos de duração, o filme encontra sua resposta no equilíbrio entre horror e comédia. Cregger usa o humor como válvula de escape nos momentos de maior tensão, sem desmontar a sensação de perigo. O resultado se aproxima bastante do “terrir”: existe sangue, ameaça, criaturas e perseguições, mas também situações absurdas que fazem o público rir justamente quando espera apenas medo.
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Uma entrega que vira luta pela sobrevivência
A história acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um entregador de suprimentos médicos que segue para o Hospital Geral de Raccoon City durante uma noite de neve. O que deveria ser apenas mais um trabalho muda quando a cidade mergulha no caos e criaturas infectadas surgem pelo caminho. Sem entender direito o que está acontecendo, Bryan precisa encontrar uma forma de sobreviver.
A ideia funciona porque o roteiro coloca no centro alguém mais próximo de uma pessoa acostumada a jogar videogame do que de um herói preparado para enfrentar um apocalipse. Bryan improvisa, erra, reage de forma desesperada e também consegue ser engraçado. Essa construção torna o personagem rapidamente cativante.

Austin Abrams carrega o filme com facilidade
O longa é praticamente sustentado por Austin Abrams. Outros personagens aparecem, entre eles figuras interpretadas por Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser, mas a narrativa permanece concentrada em Bryan.
Abrams entende muito bem o tom escolhido por Cregger. Ele consegue transmitir medo, cansaço e desespero sem abandonar o humor. Algumas das melhores cenas surgem justamente dessa mistura, quando a ameaça é real, mas a reação do personagem quebra a tensão na medida certa.
O próprio diretor revelou que versões iniciais do filme eram ainda mais engraçadas e que algumas piadas foram retiradas depois das primeiras exibições-teste. Isso ajuda a explicar por que a versão final consegue manter leveza sem transformar toda a experiência em uma simples paródia.

Visual, maquiagem e som reforçam o caos
A fotografia de Dariusz Wolski ajuda a construir uma Raccoon City fria, extensa e ameaçadora. Os cenários cobertos de neve aumentam a sensação de isolamento, enquanto ruas, prédios e ambientes maiores deixam claro que Bryan está perdido dentro de algo muito maior do que ele.
A maquiagem dos infectados é outro destaque. O filme combina efeitos práticos e visuais para dar peso às criaturas, ao sangue e às cenas de impacto. As sequências de tiros também são bem executadas e mantêm a sensação de movimento sem deixar a ação confusa. Cregger, inclusive, optou por realizar de forma prática parte de uma grande sequência envolvendo corpos e sangue, reforçando a sensação física da violência.
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A trilha de Hays e Ryan Holladay acompanha bem essa progressão, aumentando a tensão quando necessário e ajudando a sustentar o ritmo acelerado. Tudo contribui para que os 90 minutos passem rapidamente. (IMDb)
“Resident Evil” funciona porque não tenta repetir exatamente o que veio antes. A nova história preserva elementos reconhecíveis da franquia, mas coloca o humor no centro de uma experiência violenta, dinâmica e divertida. Com direção segura de Zach Cregger e uma ótima atuação de Austin Abrams, o filme consegue prender do início ao fim e entrega uma das abordagens mais curiosas que a série já recebeu nos cinemas.
Imagem Destacada: Reprodução/Sony Pictures



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