Em entrevistas, diretor e elenco detalham os conflitos familiares e morais do suspense, que estreia em 24 de setembro e provoca uma discussão sobre os limites da proteção aos filhos
Até onde um pai ou uma mãe seria capaz de ir para proteger um filho depois de descobrir que ele participou de algo terrível? É a partir desse conflito que “Precisamos Falar” constrói sua história e coloca personagens e espectadores diante de uma pergunta para a qual o próprio filme evita oferecer uma resposta simples.
Em entrevista, o diretor Pedro explicou que essa dúvida funciona como ponto central da narrativa. Para ele, mais importante do que responder imediatamente o que cada pessoa faria é observar o caminho utilizado pelos personagens para justificar suas decisões.
“É a pergunta que ecoa primeiro na cabeça de cada um, inclusive dos próprios filhos”, afirmou.
Segundo o diretor, a adaptação também buscou inserir os jovens diretamente nessa discussão moral, permitindo que suas perspectivas façam parte do conflito.
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Pais divididos entre proteção e responsabilidade
O dilema ganha diferentes dimensões por meio das duas famílias. Alexandre Nero interpreta Paulo, pai de Michel, vivido por Thiago. Para construir um homem diante de uma situação limite, o ator buscou imaginar o confronto entre os valores sociais e o instinto de proteção.
“A gente tenta imaginar o que seria nós naquela situação, como seria”, explicou.
Para Nero, seu personagem transita entre “a ética”, “a lei dos homens” e aquilo que definiu como a “lei animal do instinto de proteger o seu filhote”.
Marjorie Estiano, que interpreta Sandra, mãe de Michel e esposa de Paulo, destacou principalmente a importância do diálogo dentro da história. A atriz vê no longa uma oportunidade para discutir não apenas o comportamento daquela família, mas questões maiores presentes na sociedade.
“Acho que é isso que o filme propõe. Ele propõe a necessidade, a urgência do diálogo”, afirmou.
Marjorie também mencionou temas como desigualdade social e falhas das instituições, defendendo que o público saia da sessão disposto a conversar sobre aquilo que acabou de assistir.
Outro núcleo acompanha Celso, interpretado por Emílio de Mello. Candidato a governador e pai dos outros jovens envolvidos na situação, ele precisa administrar simultaneamente a responsabilidade familiar e as consequências que suas decisões podem provocar em sua vida pública.
“Ele precisa pensar nisso, nessa postura de homem público, pensando na sociedade, ao mesmo tempo pensar na sua família”, explicou Emílio.
Para o ator, o desafio foi encontrar equilíbrio entre o lado pragmático do personagem e sua relação afetiva com os filhos.

Michel precisa ser mais do que simplesmente o vilão
No centro da situação está Michel. Thiago revelou que recebeu uma orientação bastante direta durante a preparação: o personagem precisava despertar rejeição no espectador.
“Esse personagem precisa ser odiado”, recordou o ator sobre uma das primeiras orientações recebidas.
Ainda assim, seu objetivo foi evitar transformar Michel em uma representação superficial do mal.
“Eu tentava o máximo possível levar uma humanidade pra ele, levar um carisma, levar o que eu pudesse, sem, claro, inviabilizar a história”, explicou.
A construção da família também foi importante para esse processo. Thiago contou que observava atentamente o trabalho de Marjorie Estiano e Alexandre Nero durante as filmagens e aproveitava a experiência dos dois para desenvolver a relação entre filho, mãe e pai.
Júlia, por sua vez, interpreta Valéria, irmã de um dos meninos envolvidos e prima de Michel. Por ser considerada jovem demais, a personagem acaba sendo parcialmente afastada das conversas pelos adultos, que tentam protegê-la. Isso não significa, porém, que ela desconheça o que acontece ao seu redor.
“Apesar de tudo, ela tá observando e tentando entender”, explicou a atriz, acrescentando que Valéria sabe o que está acontecendo mesmo quando os demais personagens procuram poupá-la.

Uma discussão que continua depois dos créditos
Ao reunir pais, filhos e diferentes perspectivas sobre o mesmo acontecimento, “Precisamos Falar” pretende fazer com que a principal pergunta da trama ultrapasse a tela.
O próprio diretor reconhece que ainda não possui uma resposta definitiva sobre qual decisão tomaria. Emílio de Mello também contou que a pergunta sobre o que seria justo acompanhou constantemente o trabalho do elenco.
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É justamente nesse desconforto que o filme encontra sua proposta: colocar família, justiça, responsabilidade, ética e proteção em choque, deixando que o espectador construa sua própria conclusão.
“É um filme que vai te provocar, vai te deixar na ponta da cadeira”, resumiu Thiago. “Tenho certeza que essa discussão não vai acabar depois que rolar os créditos.”
“Precisamos Falar” estreia nos cinemas brasileiros em 24 de setembro.
Imagem Destacada: Reprodução/Globo Filmes


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