12 de dezembro de 2019

Hollywood, os astros do Rock estão se esgotando! Por isso, em um futuro próximo, as tão frequentes cinebiografias que você costuma filmar não existirão mais. Chega de sexo, drogas e Rock and Roll. As orgias não poderão ser chamadas assim, pois não haverá pessoas para participar delas. Tudo o que era para ser mostrado, já foi mostrado. Aquela carreirinha de cocaína cheirada com uma nota de dólar se tornou obsoleta. Os dramas de solidão que favorecem o mergulho nas drogas e na bebida foram banalizados. Siga em frente Hollywood! Os grandes gênios não precisam de filmes feitos em seus nomes para serem lembrados, principalmente os que ainda estão vivos. Mantenha a câmera desligada e deixe que o público puxe na memória as suas músicas prediletas. Só assim para que os astros e estrelas sobrevivam decentemente. Bem Hollywood, depois do aviso, é preciso falar sobre Rocketman”.

Para começar Hollywood, você tem um diretor que obteve algum sucesso com outra dessas cinebiografias e o fez repetir quase quadro a quadro o conceito estético de seu filme anterior. O roteiro também se repete em sua estrutura, basta analisar o arco do personagem principal para perceber que seus anseios, desejos, erros e obstáculos são narrativamente apresentados da mesma forma que no filme sobre um tal de Fred Mercury. Hollywood, agora você até pode dizer: “Espera! Os roteiros são escritos com base em artistas com vidas parecidas”. Dá para entender essa sua justificativa Hollywood, mas será que outros pontos relevantes da extensa carreira de Elton John não poderiam ter sido confeccionados além do comum? Você precisava ser tão preguiçosa ao mostrar os problemas do cantor com os pais, com a homossexualidade prestes as aflorar e com vício em drogas e bebidas? “Bohemian Rhapsody” chegou antes e já contou essa história. Um desavisado defensor de Hollywood pode entrar na discussão e perguntar: “Se trata de um filme sobre um Rockstar. O que esperava?” Bom, sempre se espera algo que faça a plateia se emocionar, e o artista Elton John emociona o mundo todo, há muito tempo, sem precisar do cinema para lhe dar uma força.A despeito de suas convenções narrativas, querida Hollywood, saiba que “Rocketman” tenta se destacar como musical, mesmo nas cenas fora do palco. Os atores se esforçam, principalmente Taron Egerton, que realmente canta e não é dublado como um recente ganhador do Oscar de melhor ator. Egerton se saí bem, conseguindo incorporar um pouco do espírito de Elton John. Já Jamie Bell, que faz o compositor Bernie Taupin, e Richard Madden, o inescrupuloso agente John Reid, são razoáveis nas linhas musicais que lhe cabem. Até o repetidor Dexter Fletcher tem algumas ideias surrealistas ao inserir, nos momentos das apresentações, alucinações que fazem a plateia dos shows e o próprio vocalista flutuarem, ou mesmo pincelando pequenos encontros do Elton adulto com o Elton criança. Fletcher também saí da linha ao ir despindo o cantor de sua fantasia durante um encontro de alcoólicos anônimos. No início da projeção, ele chega fantasiado espalhafatosamente e vai perdendo os adereços assim que mostra gradativamente sua verdadeira personalidade. Afinal, deixa de se esconder.

Infelizmente Hollywood, esses são apenas alguns desvios na rota traçada por você, e não são suficientes para elevar o nível da produção ao ponto de evitar seu completo esquecimento com o passar dos anos. É certo que aquele defensor de Hollywood poderia voltar afirmando: “Mas, o próprio Elton John está envolvido na produção. Então, é uma adaptação mais do que fiel”.  Ele de fato faz parte da produção, que a serve como uma espécie de diário filmado. Isso não significa que teve controle sobre todo o processo “criativo” por trás do espetáculo.


Fotos e Vídeo: Divulgação/ Paramount Pictures Brasil

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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3 thoughts on “Crítica: Rocketman

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