Crítica: Sai de Baixo: O Filme

Um dos maiores sucesso da década de 90, e até hoje lembrado como um dos melhores programas de humor da tv brasileira, “Sai de Baixo“, sai dos palcos de um teatro e da tela das televisões para ganhar os cinemas nacionais.

Com um esforço em manter-se fiel ao formato humorístico que  conquistou o publico, o filme busca referência no seu elenco -formado em grande parte por atores do seriado original – e na brincadeira da quebra da quarta parede, na qual o filme se auto escracha e brinca com o público.

Na nova trama, Caco Antibes (Miguel Falabella) conseguiu falir de vez a família e está preso. Caquinho, seu filho, toma rédia dos negócios enquanto o apartamento de Vavá vai a leilão. Mas, quando Caco é solto pela polícia, uma novo esquema envolvendo toda família e a Vavatour é a única chance de todos saírem do fundo do poço.

Nem os mais otimistas dos fãs imaginaria que “Sai de Baixo” ganharia um filme, tantos anos após o programa de tv sair do ar. Mas, no momento em que a nostalgia vende em Hollywood, não seria diferente no cinema nacional. Por isso, reviver esse clássico da comédia não chega a ser um absurdo, porém é uma grande responsabilidade. Essa responsabilidade que ficou a cargo de Cris D’Amato (do sucesso nacional “S.O.S Mulheres ao Mar”). Sem arriscar-se muito, o filme entrega uma trama e nuances que revivem o humor típico do programa original. Entretanto, mesmo com um início promissor, o longa se perde no meio do caminho e só volta a se encontrar no final – quando já é tarde para trazer a atenção do público.

A trama se inicia no famoso Largo do Arouche. É no inicio onde temos mais identificação com o programa humorístico. Vemos, pela primeira vez, a imagem do prédio de fora, Ribamar (Tom Cavalcante) na portaria e Magda – algo que ficava só no imaginário de quem assistia pela tv, pois a série tinha um cenário único. Toda trama de humor e situações criadas nesse início funcionam bem, principalmente com Ribamar e sua tia, uma dupla interpretada pelo mesmo ator e que rende bons momentos engraçados no filme.

O problema é que o humor decai ao longo da trama e, no segundo ato, temos o principal impasse. Toda uma trama chata criada dentro do ônibus, que inicia um efeito dominó sobre o restante do filme e esfria o público. Perde-se um pouco o espírito do início, com um humor mais desgarrado de regras. Outro incomodo é o personagem Caquinho (Rafael Canedo), filho de Caco Antibes, que apesar do esforço do ator, aparenta uma caricatura mal feita do clássico personagem de Miguel Falabella.

O elenco funciona melhor quando temos os personagens clássicos em tela. Magda (Marisa Orth) continua burra, mas agora “emporelada”, e brinca um pouco com a questão do empoderamento feminino sem perder a chance de usar trocadilhos. E nada é politicamento correto com Caco Antibes em cena, o seu humor politicamente incorreto funciona bem, principalmente quando brinca diretamente com o público e referências. Após 18 anos, Miguel Falabella continua o mesmo ao reviver Caco. E, como dito anteriormente, Tom Calvacante é o grande nome do humor no filme, ele diverte e consegue arrancar gargalhadas a todo momento do público – seja como Ribamar ou como sua Tia.

Acabamos por sentir falta de algumas figuras carimbadas do programa. Cassandra (Aracy Balabanian) e Vavá (Luis Gustavo), provavelmente devido a idade e outras considerações de saúde, não fizeram parte de todo longa metragem e isso deixa a desejar para a nostalgia ser completa. Durante o longa, o próprio Miguel Falabella brinca a todo momento com a questão, observando que Aracy participou apenas de três dias das gravações.

No fim, “Sai de Baixo O Filme” não é, nem mesmo de longe, bom como o seriado. Entretanto, o longa não passa vergonha ou desmoraliza a memória da série. Ele brinca e diverte e é uma boa para quem quer revisitar o passado e lembrar das confusões dessa eterna família do Largo do Arouche.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Globo Filmes/Imagem Filmes

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