13 de dezembro de 2019

Janeiro é um dos meses mais adequados para o lançamento de filmes de terror que apelam para a multidão de adolescentes de férias. Com os cinemas lotados e os cofres cheios, é de se esperar que todos os anos surjam produções que apelem para esse público, o que não é algo ruim, desde que o mínimo de qualidade seja adotado pelos estúdios.

Então, em 2018 temos “Sobrenatural – A Última Chave”, que é um thriller de terror bastante adequado para o início de ano. Com alguns sustos e um bom desempenho de Lin Shaye como a caçadora de fantasmas Elise Rainier, a produção tente a fazer sucesso. Mas, em comparação com todos os outros filmes da série Sobrenatural, e com os atuais filmes de terror em geral, “A Última Chave” é claramente uma decepção. O longa é o quarto filme da franquia. No anterior, “Sobrenatural: A Origem” há a revelação de como Elise descobre suas habilidades e apresenta sua então equipe. Neste novo, que funciona como nota de rodapé, nos é contada a história da primeira grande aventura dela como essa mesma equipe.

Elise está às voltas com seus desajeitados aprendizes, quando recebe um telefonema de um homem que quer que ela exorcize sua casa assombrada. O único problema é que a tal casa é onde a mulher cresceu e onde também foi abusada. Por isso, para derrotar o demônio que vive por lá – uma criatura que possui chaves inseridas nos dedos – ela terá que enfrentar seu próprio passado torturante.

Um dos problemas com os filmes sobre caçadores de fantasmas é que eles estão sempre entrando na vida de outras pessoas e nem sempre estão conectados pessoalmente aos monstros que eles combatem. “Sobrenatural – A Última Chave” tenta dar significado à luta dos personagens principais, no entanto, acaba indo bem longe em outra direção. A maioria dos outros personagens do filme, incluindo o novo dono da casa, Ted Garza (Kirk Acevedo), são notoriamente subdesenvolvidos. Parece que os roteiristas só se importam com aqueles que estão relacionados à Elise, então nós devemos nos preocupar com eles, do contrario, o roteiro passa por cima sem muita consideração.É difícil se importar com personagens que não são bem desenvolvidos, e que só servem para se tornarem as inúmeras vitimas a morrer durante a projeção. Então, os únicos em que é dada a devida atenção – Elise, Specs e Tucker – já possuem seus futuros traçados e conhecidos pela plateia. Qualquer um que se dá o trabalho de ir ver “Sobrenatural – A Última Chave” provavelmente também se importou o suficiente para ver os outros filmes de sucesso da franquia, então em seu final há uma conclusão inevitável. E as conclusões inevitáveis ​​raramente são assustadoras.

Ainda assim, quando você acha que sabe exatamente onde e como tudo irá acabar, o roteiro de Leigh Whannell consegue entregar alguns momentos de tensão inteligentes, e o diretor Adam Robitel sabe como filma-los com considerável estilo, a fim de mantê-los ágeis e convincentes. Em relação ao elenco, é sempre bom ver uma atriz como Lin Shaye carregar um filme nas costas, e ela mais uma vez prova por que é a verdadeira protagonista da franquia. Este é com certeza o filme mais fraco da série, já mostrando certo grau de cansaço e evidenciando que é preciso que haja um intervalo maior entre um filme e outro. Talvez com uma proposta de roteiro melhor desenvolvida e com um envolvimento maior de James Wan – que anda ocupado com seus outros projetos – “Sobrenatural” possa voltar a assustar e ao mesmo tempo divertir, como fazia em seu inicio. Por enquanto, aqueles adolescentes de férias farão o sucesso presente.

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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