Do Drama à Comédia

Por Daniel Gravelli

Muitos a reconhecem pelo sucesso nos quadros do humorístico Zorra Total (Rede Globo), no qual interpretou diferentes personagens, mas o que poucos sabem é que por trás desse talento que fez muita gente rir nas noites de sábado existe uma artista completa, com vasta bagagem nos palcos e uma formação de causar inveja em muitos atores que estão no mercado.

Formada em canto lírico e popular pela Escola de Música Villa Lobos e balé e jazz pela Faculdade de dança Angel Vianna, a atriz ainda possui em seu currículo passagens pelo O Tablado (responsável pelas suas primeiras aulas de teatro) e pela Whitechapel’s Academy Drama School em Londres. Como se não bastasse, Helga ainda é dubladora e cineasta (formada pela Unesa-RJ) responsável por quatro curtas-metragens.

Um verdadeiro furacão nos palcos e nas telas, a artista não para de estudar e busca se envolver cada vez mais em projetos desafiadores. Vivendo um dos momentos mais maduros de sua carreira, com propostas para diferentes trabalhos e emendando um musical atrás do outro, ela ainda encontrou tempo para um entrevista descontraída sobre trabalho e detalhes da vida pessoal.

Pulp! – Aprofundando um pouco mais em sua história, percebemos que você já fez de tudo um pouco nessa área. Então, vou começar nossa entrevista perguntando: o que você ainda não estudou ou falta realizar?

Helga Nemeczyk – Um pouco de teatro Físico! A interpretação através do corpo físico te levando à emoção é algo que gostaria de aprender e utilizar no meu trabalho.

P! – Você estudou atuação em Londres, cidade qual muitos atores sonham estudar. Seria seguro dizer que o ator precisa desse complemento no aprendizado? Existe muita diferença entre técnica inglesa e brasileira?

HN – Foi muito bacana, aprendi coisas bem diferentes mas algumas que só se aplicam lá. Como interpretar Shakespeare com as musicalidade em cada frase, cada rima, mas que só se aplicam a língua inglesa. Foi uma experiência muito boa porém, não acho que o fato de ter ou não estudado lá define um bom ou mau ator, ou ainda se ele vai ou não ser bem sucedido.

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P! – Você possui uma formação voltada para o drama, como foi ser convidada para trabalhar em um programa totalmente concentrado na comédia?

HN – Foi estranho no começo! Pois o Sherman(diretor geral do humorístico) foi me assistir fazer a EVITA PERON(texto e direção do genial Paulo Afonso de lima), mais dramática impossível!(rs). E, no entanto, me chamou para o zorra. Eu perguntei a ele se minha interpretação tinha sido tão risível assim(rs) mas ele disse que não, que iria me aproveitar nos quadros musicais. Mas como esses quadros eram de humor eu acabei tendo que deixar minha veia de comediante pulsar e nisso ele disse: “tá vendo, você é ótima comediante! Vou te aproveitar em outros quadros.” E assim foi…

P! –Ultimamente vemos muitos novos atores na televisão, objeto de desejo da maioria. Uma grande parte deles são modelos, cantores e/ou participantes de reality shows e não possuem experiência alguma na área de atuação. Com isso, muitos são criticados e intitulados “pseudo-atores”. Você acha que precisaria existir uma seleção mais rigorosa na escolha desses artistas?

HN – Eu já me incomodei com isso mas, hoje em dia, não mais! O mercado está desse jeito mesmo, cantores mais conhecidos, mais carismáticos e com um publico certo vão dar mais audiência. Modelos com rostos e corpos perfeitos sempre vão ter mais espaço. Tem sido assim e não adianta lutar contra isso. Cada um faz a sua história e o que tiver que ser pra cada um de nós, será!

P! – A primeira vez a gente nunca esquece (digo isso, em relação ao trabalho. Rsrs). Se não me é engano, um dos seus primeiros trabalhos no cinema foi o curta “Prazer, Camila”. Já no teatro, quando ocorreu sua estreia e qual foi a peça?

HN – vixi…. rs… a primeira vez que pisei no palco, profissionalmente, foi em um espetáculo de humor chamado ‘’Eu sou o que elas querem”, texto e direção do falecido e inesquecível Gugu Olimecha.

P! – Há pouco tempo atrás o grande ator Osmar Prado falou de sua carreira em uma entrevista emocionante. Entre as perguntas feitas ele chorou ao falar de um de seus personagens preferidos durante toda sua profissão. Sei que você tem ainda uma longa carreira pela frente mas, até o momento, você saberia escolher um entre todos os personagens que já fez?

HN -EVITA PERON, SEM SOMBRA DE DÚVIDA.

P! – Você possui uma extensa experiência artística. Entre todas uma que me chamou muita atenção é que você também é diretora. Fale um pouco mais sobre os curtas que dirigiu.

HN -Dirigi na faculdade três curtas! Um documentário sobre a escola nacional de circo e dois de ficção que escrevi e roteirizei. Um foi em digital e outro em 35mm. Foi maravilhoso! Aprendi muito mas quando acabou tudo eu tive a sensação de que adorava fazer aquilo, contudo a vontade maior era de estar em frente as câmeras.

Foto: Warley Venâncio

Foto: Warley Venâncio

P! – Pretende dirigir algum novo projeto? Curta ou longa?

HN – Dirigir, não! Mas, pretendo continuar escrevendo roteiros para eu atuar.

P! – Esse ano você participou do musical “As noviças rebeldes”, com direção de Wolf Maya e considerado um sucesso de público e crítica. Como surgiu o convite para trabalhar no projeto?

HN – O produtor, Sandro Chaim, me indicou para o Wolf e eu fui até a casa dele para cantar uma musica da peça e ver se ele me aprovava. Ele me aprovou e seguimos em frente.

P! – Entre muitas coisas, o ano de 2015 também foi marcado por sua saída do Zorra Total. Qual foi o motivo e o que mudou na sua vida depois disso?

HN- O motivo até hoje eu não sei! Algumas pessoas saíram, outras ficaram e eu fui uma das que saíram. Mas, o motivo ninguém me disse. Eu prefiro acreditar que era pra ser, já cumpri minha função ali durante nove anos e era hora de alçar novos voos. Enfim, até agora só mudou o fato de não ser mais contratada da globo e não receber mais o meu salário que recebi por todos esses anos (kkkkk). Porém, Deus sabe o que faz! E tenho o teatro que nunca deixei de fazer enquanto estava lá e, ele, graças a Deus, agora é o meu sustento. E nunca me faltou!

P! –Você não para e já emendou quatro trabalhos seguidos. E, pelo que parece, já se encontra envolvida em um quinto. Seu noivo fica louco com sua correria ou ele já acostumou com tudo isso?

HN – Ai, nem fala… ele fica… mas, é um grande companheiro que aceita meu trabalho e entende bastante. Ele costuma dizer que já me conheceu fazendo o que eu fazia, saberia que seria assim e que se não me amasse não entraria nesse relacionamento. Então, eu agradeço muito a Deus por ter colocado ele na minha vida e agradeço ao Vinicius por ser tão maravilhoso, compreensivo e por me amar como ele me ama. Eu o amo demais!!!

P! – Nessa correria toda você conseguiu achar espaço para o casamento ou isso vai ter que esperar?

HN – Sim! Pretendemos nos casar no ano que vem. Não vejo a hora!!!

P! – Fiquei sabendo, não posso contar quem foi que disse, que você vai estar na montagem do musical da Broadway “Mulheres à beira de um ataque de nervos”. Conte-nos um pouco mais sobre esse projeto.

HN – Fui convidada pelo Sandro Chaim e pelo Miguel Falabella para ser uma das protagonistas do próximo musical da Broadway que ele vai dirigir “MULHERES A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS”. Foi escrito pelo Pedro Almodóvar, vamos começar a ensaiar em setembro e minha personagem é uma modelo então, para isso, estou numa dieta muito rigorosa para perder 15 quilos e ficar com o corpo o mais próximo possível de uma modelo. Magrela e alta eu nunca serei, pois tenho uma estrutura óssea bem especifica, nadei muito na infância e fiz muita ginastica olímpica, o que me impediu de crescer mais um pouco. Mas, enfim, vou tentar ficar o mais magra possível para encarnar essa personagem.

P! –Estreia quando?

HN – Estreia novembro, em São Paulo, no teatro Procópio Ferreira.

P! – Pelo o que venho acompanhando do seu trabalho, particularmente, eu acho que sua saída da Globo, mesmo que essa seja uma excelente vitrine, acabou beneficiando sua carreira pois foi possível que você se dedicasse a personagens mais fortes. Depois de quase um ano se dedicando ao teatro e participando de diferentes curtas metragens, você possui alguma proposta de voltar à TV?

HN – Ainda não tenho nada, o que não me abala! Pois devo descansar minha imagem do zorra, fazer outras coisas aqui fora para que os diretores possam me ver com outros olhos.

P! – E no cinema, possui algum próximo trabalho?

HN – Por enquanto nada!

P! – Dentro da sua trajetória, foi possível detectar seus erros e acertos como profissional? Qual conselho você daria para os jovens atores que estão querendo entrar no mercado?

HN – A gente erra e acerta todo dia e vai ser assim até morrer! O importante é você saber que errou, identificar o erro e correr atrás de consertar para acertar da próxima vez. Mas não se iludam, vocês vão errar de novo. O meu conselho é que estudem, se dediquem, conheçam suas fraquezas, se libertem ao máximo do ego e sejam felizes com suas escolhas.