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CríticaFilmes

Crítica: Thinner – A maldição

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Convidado Especial
15 de abril de 2017 3 Mins Read
Atuações amaldiçoadas

thinner cartazEmagrecer rapidamente comendo tudo o que quiser. É um anúncio? É um sonho? Não. É o que acontece ao protagonista deste filme de terror baseado em uma obra de Stephen King, escrita sob o pseudônimo de Richard Bachman.

O próprio autor faz uma aparição no longa, como um farmacêutico que atende o velho cigano responsável pela maldição que atormenta Billy Halleck (Robert John Burke).

Dirigindo de forma imprudente, Billy atropela e mata a filha de Tedzu Lempke (Michael Constantine). Advogado que já havia salvado a pele do mafioso Richie Ginelli (Joe Mantegna) no tribunal, Billy consegue salvar a sua própria comprando o juiz e um policial. É inocentado. Ao sair do tribunal, o cigano Lempke toca-lhe o rosto e vocifera: “Mais magro”. A partir daí, o advogado, extremamente obeso, passa a perder peso de forma tão rápida que assusta a esposa Heidi (Lucinda Jenney) e a filha Linda (Joy Lenz).

A cena de abertura, com música de suspense, densa neblina, faróis que vão surgindo aos poucos e depois a trajetória de uma caravana de ciganos chegando à cidade, parece prometer tensão e mistério. No entanto, o filme se perde ao longo do caminho. Não sabemos exatamente se a intenção é provocar medo ou fazer rir. O mais assustador talvez seja o para-brisa sujo de sangue após o atropelamento, ou a sinistra gargalhada de Lempke. O resto pode ser bem constrangedor, a começar pela interpretação de Burke. No início ele tenta fazer o estereótipo do gordo engraçado, com sorrisinhos e olhos sempre arregalados, o que lembra vagamente algum personagem de desenho animado. À medida que emagrece, vai assumindo um suposto ar de insanidade – e seus olhos continuam arregalados. O que lembra vagamente uma ex-jornalista brasileira casada com um político corrupto.thinner2

Ainda no quesito interpretação, temos a bela, porém histérica, Kari Wuhrer no papel da filha de Lempke. Atua de forma exagerada, como em um dramalhão, grita e corre com um estilingue a fim de atingir Billy. Muitas caras e bocas. Além disso, em determinado momento, Richie, o mafioso, leva a cigana até uma cabana, abre a porta e diz: “Ele está esperando no carro”. Ao que ela, entrando, responde: “Não tem carro nenhum aqui”. A intenção era fazer piada? Acabamos rindo da qualidade do roteiro. A partir do momento em que Billy pede ajuda a Richie o filme fica mais desinteressante ainda. O foco passa a ser a obsessão do advogado em encontrar Lempke para que este retire a maldição e o que poderia criar maior suspense – o emagrecimento cada vez mais acentuado – acaba perdendo força. Isso também fica um pouco ofuscado pela suspeita de Billy a respeito do comportamento de sua mulher: ele tem certeza de que ela o trai com o médico amigo da família, Mike (Sam Freed).

Se há algo que pode ser elogiado no filme, é a maquiagem de Greg Cannom. A caracterização do personagem obeso com o uso de “fat suit” oferece um resultado bastante crível; também foi feito um trabalho bem elaborado para as transformações físicas sofridas pelas demais vítimas da praga cigana.

Infelizmente, o roteiro e a direção de Tom Holland deixaram muito a desejar. Mas o que parece ter sido também uma maldição foi o fato de que durante as filmagens ele sofreu uma paralisia facial e, pressionado pelos produtores que não o deixaram interromper o trabalho, demorou a buscar ajuda médica. Em decorrência desse descuido, levou um longo tempo até se recuperar, o que acabou paralisando (com o perdão do trocadilho) sua carreira por uma década.


Neuza Rodrigues

Reader Rating1 Vote
1.2
5.5

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