Crítica: Um Homem Só

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O cinema brasileiro tem dado seu jeitinho de falar sobre as crises existencialistas do ser humano. Por que jeitinho? Bom, porque os filmes nacionais falam sobre as frustrações, tristezas, medos e anseios que é tão comum em todos nós, mas sempre de um ponto de vista da comédia e isso acontece em Um Homem Só.

O filme, que foi gravado em 2014, conta a história de Arnaldo (Brichta), um homem frustrado tanto com sua vida profissional quanto com a pessoal, que em um certo ponto da frustração descobre uma clínica clandestina de clonagem e decide fazer uma cópia sua, só que no meio do procedimento se arrepende e foge.

Porém, mesmo fugindo, o clone é feito e passa a viver como ele, com a mulher grávida, Aline (Ingrid Guimarães) e indo trabalhar normalmente. Por sugestão do amigo, Mascarenhas (Otávio Muller), ele resolve seguir com a vida que queria ter antes de ser casar e nesse meio de caminho conhece Josie (Mariana Ximenes). É a partir de um erro que toda a confusão se faz e os dois “Arnaldos” existem.

Sabe aquela história de que existe um ser humano muito parecido com você? Ou que na verdade existem sete pessoas muito parecidas com você? E alguém que você conhece sabe de um desses ‘sósias’? Esse alguém esta no filme e é Otávio Muller! Ele é o contador de ‘causos’ do filme e melhor amigo dos ‘Arnaldos’. Muller entrega um personagem leve e engraçadíssimo.um-homem-so02Brichta vive dois personagens, clones físicos, mas totalmente diferentes quanto a personalidade. É possível notar o trabalho que ele teve para mostrar na tela as diferentes faces de, na teoria, uma mesma pessoa. E existe uma química entre ele e Mariana Ximenes, fazendo a jovem maluquinha e descompromissada, que guarda dentro de si um grande vazio desde a morte da mãe. Mariana vai do vazio que a personagem sente para a fome que ela tem da vida de forma muito natural.

O filme mascara um drama, a frustração nossa do dia a dia, com situações engraçadas que aconteceriam se, de repente, existisse outro eu nosso andando por ai. A grande questão do filme, que não é o primeiro brasileiro a retratar o desgosto ou a frustração pessoal, é sobre a vida. Em um certo momento Josie pergunta para Arnaldo: “Você não é muito novo para ser velho?” e em outro é a vez dele dizer a ela que não tem medo da morte e sim de não viver. Um Homem Só te faz rir, mas seu texto esta além do riso.

É uma pena, porém, que ele nade entre a comédia e o drama sem se decidir por um dos lados. Como comédia ele têm umas tiradas engraçadas, como drama fica aquém do que poderia conseguir, limitando assim seus atores, que têm bons personagens mas não podem aprofunda-los. Acaba sendo o roteiro do filme que ‘tem’ que fazer rir, mas possui uma sensibilidade rasa em relação as inquietações humanas e sua direção fica perdida entre suas obrigações e acaba por ter um produto final mediano.

Um grande ponto positivo ao cinema nacional é que cada vez mais estamos tendo uma excelência com cada área: a trilha de “Um Homem Só” funciona bem, tendo um momento para Mariana dançar ao som de uma ‘música para gatinhas’ como diz a personagem Josie, a caracterização também reflete a personalidade de cada um (Mariana, aliás, nunca esteve tão ruiva! E até os ‘Arnaldos’ são distintos em seus modos de vestir e pentear-se) e a fotografia acompanha muito bem todo o filme, sendo bastante estável mesmo quando esse varia entre o drama e a comédia. Estamos crescendo como profissionais de cinema e isso deve sempre ser comemorado.

Um Homem Só estreia dia 29 de Setembro no circuito nacional.

Crítica: Um Homem Só
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