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Crítica

Crítica: Um Lindo Dia na Vizinhança

Imagem: Divulgação/Sony Pictures Brasil

Imagem: Divulgação/Sony Pictures Brasil

Em tempos obscuros como os vividos atualmente, nada melhor do que um respiro vindo de Hollywood e suas produções otimistas. No passado, esse tipo de filme se tornou tão relevante que passou a servir como peça para elevar a moral dos espectadores incertos sobre o futuro da humanidade em momentos de crises e guerras mundiais. Bom, para um 2020 cheio de conflitos, acompanhar a jornada de aprendizado do jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys) em “Um Lindo Dia na Vizinhança” pode ensinar uma lição àqueles que teimam em não colaborar com bons caminhos da convivência em sociedade. E esses são uma boa parte da população, infelizmente.

A obra dirigida por Marielle Heller e roteirizada por Noah Harpster e Micah Fitzerman-Blue, a partir de um artigo escrito por Tom Junod para a revista Esquire, conta a história de Vogel (Jonod na vida real) no momento em que conhece Fred Rogers (Tom Hanks), um popular apresentador televisivo, responsável pelo programa infanto-juvenil “Mister Rogers’ Neighborhood”. O ano é 1998, e Vogel precisa fazer uma matéria para contar um pouco da trajetória do Mr. Rogers, o problema é que o jornalista não possui uma boa fama, já que não costuma ser generoso com as personalidades das quais escreve.

Para piorar, Vogel é um ser completamente amargurado, mesmo tendo uma boa vida em Nova York com sua bela esposa e o filho recém-nascido. A amargura se justifica por causa de um passado sem a presença do pai (Chris Cooper), que o abandonou, e o fato dele ter ficado com o fardo de cuidar sozinho da mãe à beira da morte. Ou seja, um homem quebrado que não consegue se livrar da raiva enraizada. Aí que entra o gentil e amigável Mr. Rogers, que logo vira seu amigo e tenta guiá-lo na reconstrução de seus relacionamentos através de conversas reflexivas durante as entrevistas.

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Imagem: Divulgação/Sony Pictures Brasil

Como não poderia deixar de ser, Heller, junto com o fotógrafo Jody Lee Lipes e com designer de produção Gregory A. Weimerskirch criam uma Pittsburgh – onde fica o estúdio que é gravado o “Mister Rogers’ Neighborhood” – colorida para receber o novaiorquino Vogel. Na verdade, dizer “colorido” é uma simplificação, o que acontece é o transporte do personagem e do espectador ao mundo de maquetes e bonecos do Mr. Rogers. Troca-se a Nova York cinza e suja pelo canário de sonhos de um desenho animado. Dois homens representados pelas características de suas cidades. Claro que a Pittsburgh mostrada em tela não é de verdade, no entanto vale a comparação.

A jornada entre duas cidades será tão reveladora quanto a jornada interna do protagonista. Ele terá seu aprendizado sobre perdão, redenção e paternidade; o que é muito bonito, mas nada novo. Como dito no primeiro parágrafo, o cinema americano se acostumou a repetir o mesmo personagens, com os mesmos arcos, proporcionando filmes dignos de sessões da tarde com a família reunida. Só não dá para ser muito mais profundo na análise, afinal, de repetições o mundo está cheio. Por isso, que se faça histórias repetidas, mas com a adição de elementos subversivos.

Vídeo e Imagens: Divulgação/Sony Pictures Brasil

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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