Este filme está longe  de ser “um cocô no vento

A Sony é o único grande estúdio fora da Disney que ainda possui direitos de personagens da Marvel. Com muita dificuldade, e em um acordo cheio de empecilhos, o estúdio liberou o personagem Homem-Aranha para o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Mas, sabendo todo o potencial que tem nas mãos, o estúdio decidiu investir de forma diferente no “Aranhaverso”, criando um universo cinematográfico próprio a partir dos anti-heróis do Homem-Aranha.

Agora, nos deparamos com Venom, que traz o nome de peso de Tom Hardy como protagonista e inaugura a proposta de dar o ponta pé inicial para esse universo compartilhado de filmes.

No filme, Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo com um quadro próprio em uma emissora local. Ele é escalado para fazer uma entrevista com Carlton Drake (Riz Ahmed), criador da Fundação Vida, instituição que investe milhões em pesquisas espaciais com intuito de encontrar novas formas de tratamentos medicinais. Nesse meio tempo, Eddie acaba tendo acesso a um documento sigiloso, com a informação de que a fundação faz testes ilegais em humanos. Ao tentar revelar a situação, Eddie é demitido e acaba tendo sua vida completamente bagunçada. Algum tempo depois, com amparo de uma funcionária, Eddie invade a empresa de Carlton em busca de provas. Contudo, acaba entrando em contato com uma espécie de simbionte alienígena que se agarra ao seu corpo dando-lhe poderes especiais.

A introdução da história não é promissora, até muito parada, e os personagens não conseguem cativar de início. A primeira metade do longa beira ao chato, até chegar a ação contundente na segunda parte do filme. Ao que parece, o roteiro tentou introduzir certos acontecimentos de forma mais precisa, encontrando soluções para dispor os personagem no início da história. Todavia, não conseguiu trabalhar isso muito bem – deixando algumas pontas soltas. Por incrível que pareça é mais fácil identificar as características dos personagens nas partes mais ágeis do filme, do que em sua introdução que faz com que algumas cenas tornem-se dispensáveis.

O filme melhora consideravelmente quando Venom e Eddie se unem em um corpo só, a partir daí as piadas começar a fluir bem. Os  personagens, tanto Eddie – com seus dramas pessoais – quanto a simbiose Venom, com seu jeito macabro a lá carniceiro, são melhor desenvolvidos e acabam se completando.

A melhor parte do fraco roteiro do filme é que ele consegue implementar muito bem as piadas para criar a relação entre Eddie Brock e Venom, levando para um desfecho que não conseguimos imaginá-los separados. Outra coisa que é necessário destacar é que em nenhum momento o filme se propõe a mostrar Venom como vilão, então se você espera assistir a atuação de um violento vilão do Homem-Aranha não é nesse filme que você vai encontrar. E não, esse ponto não faz desse filme pior, apenas traz uma proposta diferente e funcional para o personagem na criação desse universo da Sony.

Na direção de Ruben Fleischer, algo que não afeta muito o filme mas que incomoda, é possível depararmos com alguns cortes insatisfatórios, principalmente em cenas mais violentas (provavelmente cortadas de forma proposital pelos produtores para diminuir a classificação etária do filme). Outro problema grave que o diretor deixa passar é a quebra de eixo em algumas cenas, que impõe um sensação de mudança repentina de posicionamento dos personagens. São pequenos detalhes que ocorrem algumas vezes durante o filme, que apesar que não afetarem a história, poderiam ser evitados.

A fotografia de Matthew Libatique também deixa a desejar, não casando tão bem com o departamento de arte, trazendo um aspecto escuro em todos os momentos ao invés de trabalhar melhor o contraste das cores e sombras de acordo com a evolução do filme e jornada vivida pelo personagem.

O verdadeiro auge do filme são as cenas de ação, todas elas realizadas de forma alucinante com muita pancadaria e efeitos impecáveis. O visual de Venom pode não ter agradado a todos, mas é inegável que durante o filme o CGI está razoavelmente bom e de certa forma imponente.

Quanto a Tom Hardy, não, ele não tem uma atuação péssima, ele dá ao personagem a personalidade que o roteiro supõe que ele tenha. O mesmo já não pode ser dito de Riz Ahmed (interprete do vilão Carlton Drake), que possui uma atuação rasa, de pouca expressividade, e não se destaca em momento algum durante todo o filme.

No fim, Venom” chega com a proposta de implementar um novo universo de filmes no cinema, e mesmo envolto de vários erros, o filme consegue funcionar como um gatilho para divertir e entreter. Ele planta uma semente que pode render bons frutos no futuro com outros filmes que corrijam o que aqui deu errado e prossiga com deu certo. Vale a pena conferir e dar um voto de confiança para essa nova ideia da Sony.

Obs.: O filme possui duas cenas pós créditos, então não saia antes de todas as letrinhas subirem.

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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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1 thought on “Crítica: Venom

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